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segunda-feira, 1 de maio de 2017
O menino Armin
- Pensei em ser escritor. Seria um radicalista dentro da minha família. Um radical sem bombas, sem armas, só letras e personagens. – contou Armin, de treze anos. A poesia parecia fluir naturalmente para ele, ainda que – Nunca li um livro, só a Torá. – Confessou. O garoto vive num pequeno vilarejo entre grupos terroristas e instalações militares. O governo não interfere ali.
Os jornalistas aqui para reportar a situação dessa gente são bem-vindos em toda casa. São pessoas carentes ainda que pouco esperançosas. É um ato heróico sonhar nessas terras onde o sono é interrompido por explosões e tiros. Há nove dias eu vejo isso onde vive Armin e ele é o único que tenta levar uma vida normal, indo à escola, brincando e pensando no futuro.
- Meu pai tinha dito que esse ano eu deveria começar a trabalhar com ele no armazém, mas saquearam a loja, queimaram os armários e não sobrou quase nada. – Armin dizia sentado em um caixote, de frente para mim. Nós costumávamos conversar sempre depois do almoço. Ele me contava sobre seus familiares, sobre o que ele enxerga da guerra e sobre seu dia – E hoje Milad não foi para a aula. A professora disse que ela e os pais embarcaram em um navio de refugiados. Eu não sei para onde eles foram. – Provavelmente não fazia sentido sair de seu país, uma vez que o pequeno nunca soube o que é a paz.
Naquele dia fomos jogar bola. Ele se divertia ainda que fossemos péssimos. E eu fazia questão de pegar a bola surrada e chamar os outros garotos. Em momentos como este até as crianças sem infância no rosto conseguiam sorrir de forma inocente.
- Eu não gosto tanto de rezar. – Armin me disse baixinho, antes de correr para os afazeres de sua religião. Aos treze os meninos judeus se tornam Bar Mitzvah e uma de suas funções é a leitura matinal da Torá durante um certo período.
Ontem, quando encontrei com Armin, ele parecia apático me observando a arrumar as câmeras. Eu perguntei o que ele tinha e ele balançou a cabeça em negação. Eu não gravei nossa conversa naquele dia. Foi a única vez que o vi chorar.
- Meu avô morreu. – o garoto havia sido criado pelo avô até os oito anos. Quando a guerra civil iraniana avançou sobre a cidade onde viviam, a família se afastou dos rebeldes, deixando o avô, avó e um tio para trás. – Ele não queria abandonar nossa casa.
Hoje, quando deixo o Irã e retorno ao Brasil, não achei Armin. Não encontrei seus pais e nem seus irmãos. Todos que viviam naquele casarão meio à zona de guerra haviam deixado o local. No banco onde eu registrava em vídeo as conversas com o menino Armin, o próprio deixou uma carta.
“Este é meu primeiro escrito, Renato. Desculpe a letra ruim, ainda vou aprender a escrever como você. Peço desculpas também por não me despedir, meu pai nos apressou quando ainda estava escuro e está colocando as coisas em um carro cheio de pessoas estranhas. Eu quero agradecer a todas as coisas que você me falou sobre seu país, sobre sua família e como prometi não deixarei meus sonhos de lado. Eu acho que para onde estamos indo eu vou ter mais chances de escrever algo bom. Ah, decidi que contarei a história do meu avô Siamak. Preciso ir, adeus.”
sexta-feira, 28 de abril de 2017
A infeliz naturalidade do abuso
Quem nunca ouviu falar ou presenciou um caso de abuso sexual? A maioria das pessoas pode se lembrar de um caso ocorrido ainda nesta semana. E o pior disso tudo é que a constância dessas notícias não nos faz reagir contra, e sim, traz acomodação. Isto é inaceitável.
O abuso sexual não deve ser entendido somente como a consumação do ato. De forma alguma. O menos agressivo abuso, seja um convite indesejado e insistente, seja travestir em elogio a objetificação da mulher em um produto é tão criminoso quanto a deflagração de um estupro. Este trato brando sobre assuntos que ferem a mulher decorre da construção social que ainda é vigente, especialmente em localidades mais pobres; a estrutura machista que torna menor os grandes problemas próprios desde modo social. É um problema comportamental.
Não naturalizem o abuso. É covardia com quem o sofre, que acaba calada pelo medo e por essa naturalidade inventada. Isso mesmo, a mulher que sofre acaba aceitando o abuso como algo comum e sem importância. Esta ideia é reforçada por quem a cerca, inclusive mulheres. Cria-se, então, a cadeia fechada do abuso sexual, pautada no machismo e no silenciamento.
É preciso romper esta cadeia atacando os elos mais fracos – os olhares invasivos, os “elogios” objetificadores e os toques sem permissão, todos, infelizmente, tão naturalizados.
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sábado, 8 de abril de 2017
Para repensar o jornalismo
No sétimo dia de abril é comemorado o Dia do Jornalista no Brasil. Isto porque há 187 anos morria Libero Badarò, assassinado por exercer seu ofício. O jornalista incomodou parte da elite política por dar voz aos cidadãos comuns. A repercussão de sua morte levou a abdicação do Imperador D. Pedro I em 7 de abril de 1831. A mesma data foi escolhida para a fundação da Associação Brasileira de Imprensa um século depois e, desde então, este dia é o Dia Nacional do Jornalista.
Em uma profissão que acompanha os cidadãos em seu cotidiano, sendo mensageiro do mundo, sempre é tempo de repensar o jornalismo. Para isso, entrevistamos dois personagens dessa discussão. Luiza Braz (21), aluna do quarto período de jornalismo da FACHA e Camila Côrtes (26) que trabalha no canal à cabo SporTV.
Uma das maiores mudanças recentes para o jornalista é a não obrigatoriedade do diploma. Para ambas as entrevistadas, não é preciso ser formado para ser um bom profissional. “Vários bons jornalistas não possuem diploma”, lembrou Luiza. “Mas a faculdade ajuda muito dando base teórica para a prática”, ponderou. Para Camila, “Querer buscar a informação e contar uma história” independe da formação acadêmica
No mundo atual é impossível não inserir o tema redes sociais em qualquer debate. A visão positiva sobre adventos modernos envolvendo o jornalismo parece ser uma constante. “Acho um complemento do trabalho dos veículos tradicionais. Quanto mais informação, melhor”, disse a aluna Luiza Braz. Em complemento, Camila ressaltou que conhecimento é poder: “Uma convocação no mural do Facebook provocou a Primavera Árabe; tudo é ferramenta da informação. Se deter o meio de propagação de notícia é o maior poder em uma sociedade bem informada, então difundir e popularizar esses meios é a maior maneira de tornar uma sociedade consciente.”
Sobre a censura e manipulação, ambas as entrevistadas apresentam uma visão esclarecida sobre a situação corporativa que sustenta o jornalismo. Para Luiza, “Não há como combater” os males da profissão. Isto porque, segundo ela, “Cada veículo é uma empresa, assim ele vai informar de acordo com seus princípios” e dá a dica para não ser afetado por esta posição empresarial: “O que se deve fazer é pesquisar nas diversas fontes disponíveis.” Trata-se de interesses das linhas editoriais, para Camila: “Enquanto os jornalistas são responsáveis por editar e recortar o que não lhes interesse da notícia também lidam com as influências externas da maneira que recebem os materiais e suas fontes. A informação é dada do ponto de vista de quem conta”. A censura que muitas vezes parte do próprio veículo é “o extremo do abuso de poder e do corte de liberdade”, para Camila Côrtes, que complementou: “É saber usar o personagem certo com a sonora certa. A frase bem escrita no off. Uma construção que permita a passagem da informação.”
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domingo, 6 de novembro de 2016
Outra vez segunda-feira
Outra vez segunda-feira, o relógio despertou, eu não. Em cima da hora me vi na rua arrumado e estressado junto de todas aquelas pessoas apressadas.
Outra vez segunda-feira e o ônibus custa a cruzar a esquina em minha direção. Não me consola o fato de não ser somente eu. O estresse das manhãs de segunda afeta todos, aparente nas pernas agitadas e olhares impacientes numa dessas bucólicas ruas da Lapa ou Catete, já não faz diferença. A irritação do início da semana é sempre a mesma, alheia ao endereço.
A chuva que se anunciava nas pesadas nuvens acima de mim gota à gota transbordava meu mau-humor. Fez também uma revoada de pombos fugir da praça e buscar abrigo na marquise ao meu lado. Neste momento vi meu ônibus surgir na esquina. Minha segunda parecia melhorar, afinal. Não! Mais uma vez engano, como geralmente acontece. Um dos malditos pombos me trouxe de volta para aquela segunda-feira. Camuflado dentre muitos pingos de chuva, o desgraçado cagou no meu terno.
Outra vez segunda-feira e eu me atrasei, não peguei o ônibus, não fui ao trabalho.
sábado, 28 de maio de 2016
Memes
O estudo da Memética, nomeado assim por Richard
Dawkins, busca entender os processos de transmissão e disseminação de ideias,
valores e conceitos. Em suma, informação; chamados por ele, em uma analogia
precária coma a palavra gene, de meme. O termo deriva do grego mimese
(imitação), sustentando que o conhecimento é obtido por observação e repetição –
note uma criança, oras. Sendo ele, o meme, a menor parte da informação (se o
gene é a unidade da genética), diz Dawkins que uma ideia surge, e simplesmente
surge, no cérebro humano, transpassa esse limite chegando a outros cérebros,
onde se desenvolvem, evoluem “biologicamente”, e sendo, ainda, armazenadas em
unidades físicas como livros, computadores, cadeiras. Sim, pois, uma cadeira é
nada mais que o acúmulo de ideias definidas para uma função. O objeto não é um
meme, porém, sim o que ela transmite, a informação nela contida. O meme é a
dança e não o dançarino. Entretanto, o meme surgiria mesmo do nada?
Como o gene adquiriu sua complexidade em meio
a um Caldo Primordial durante tempos, o meme desenvolve-se na Cultura humana.
Essa Sopa de ideias e conceitos, modas e símbolos, fala e música, costumes e
crenças, geram os memes. No entanto, seu ponto de ignição permanece um
mistério. Dawkins definiu o meme como unidade replicadora da evolução
(cultural) humana. Ele se autopropaga, espontâneo, autossuficiente,
independente do meio/hospedeiro. Diria que o meme detém o homem enquanto o
homem acredita que o detém. Apesar de somente possível através do humano, em
sua complexidade, o homem é um motorista de um carro sobre trilhos meméticos.
Inibindo a própria credulidade, dá-se um
exemplo de meme, talvez o mais poderoso deles: Deus. A ideia de um ser onipotente
e único foi replicado por anos através da cultura oral, cânticos e tradição em
efeito geracional e local. Com o tempo, difundido em maior escala, ganhou um
símbolo que unia toda sua magnitude. Com a crença instaurada pela palavra, foi
absorvida por um poder social (Império Romano) e a partir dele tornou-se base
para a cultura ocidental, adaptando-o e se adaptando em leis, aderindo à
cultura e arte, cotidiano, através de processos meméticos consecutivos. Os
valores sociais ocidentais, seja lá seu credo, possuem origens cristãs (não que
não existam em outras vertentes). De qualquer forma, todos frutos de memes. Ideias
poderosas, conteudistas, influenciadoras da cultura (e por ela influenciadas),
por vezes complexas e de fácil assimilação e identificação, logo, proliferação.
Fogo, roupas, argila, papel, escrita, fibra óptica e internet são outros exemplos.
Um meme pode ser um também um costume.
Escovar os dentes é um meme. Olhar para os dois lados da rua ao atravessá-la
também é um meme. São hábitos que nos favorecem e beneficiam, por são facilmente
adquiridos e tornam-se parte do nosso ser (biológico, não?). Os memes, então,
fazem parte da sobrevivência do humano e, por ele, tem sua própria permanência.
Há de se lembrar também que os animais são dotados de capacidades meméticas. O
canto das aves tem muito de genético, mas também são influenciados por
imitação. Algumas espécies de primatas adquirem habilidades observando outro,
como chimpanzés que usam uma pedra para abrir um fruto. Se facilitam a sobrevivência
e transmitem uma informação, são memes de fácil observação.
Em um mundo binário, como diria Turing, se há
meme benéfico, há seu oposto. Silêncio é ausência de barulho. Barulho é
ausência de silêncio. A paz só é possível se existir guerra. Não há morte sem
vida. Os memes também são depredantes ao
ser humano. O racismo, étinopartição,
nazismo, são ideias que se reproduzem de forma memética, pois encontram
condições de indução, disseminação e identificação. Memes são poderosos
influenciadores, para o bem e para o mal. O que dizer, ainda, das crenças
extremistas do islã? Seus homens-bombas dispostos a se sacrificar por uma promessa
no pós-vida, não seriam fruto da sedução de uma ideia com alto grau de
manipulação e poder? Outro meme.
Hoje, é possível entender o que é um meme e
seu funcionamento. Durante anos ele foi algo natural, imperceptível. Aos poucos
seu entendimento foi se tornando uma ciência. Logo, manipulado. A compreensão
da importância da sonoridade para um meme foi crucial para práticas culturais e
comerciais. O ritmo e sonoridade de um jingle, um slogan, determinou – e determina,
a assimilação do conceito pelo consumidor. A capacidade influenciadora e
disseminadora de um meme ganhou novos ares com a era digital. Os memes, claro,
espalhados por todas as redes socais. Os memes de internet são um fenômeno
interessante que possui uma particularidade com relação ao meme “formal”; a
efemeridade. Esses memes têm geração espontânea e, por sua baixa complexidade e
informação, desaparecendo da mesma forma. Estenderia-me, mas não sou capaz de
opinar. É um assunto polêmico, mamilos! Voltando, você já ouviu falar do bug do
milênio?
No último ano do século passado uma
informação se espalhou pelo mundo. Ele dizia que as máquinas, ao entrarmos no
século 2000, iriam parar, entrar em looping eterno, que seus relógios internos
parariam. Foi o primeiro meme digital e gerou dor de cabeça para muita gente.
Outro meme digital são as correntes. Outrota o Orkut, agora Facebook e Whatsapp
estão cheios delas. Proliferam-se, contaminam, geram crença. Antes dos
computadores as correntes já se espalhavam por meio de cartas, nos EUA, se você
acredita, envie essa mensagem para 5 amigos e algo bom lhe acontecerá nessa
semana!
A comparação de Dawkins entre meme e gene não
se isentou das críticas. É interessante como um conceito muito bem elaborado pode
gerar identificação, entendimento e reflexão, e uma outra ideia pode pô-la em
descrença. Seria um duplipensar (George Orwell). A
crítica consiste em aspectos interessantes sobre a comparação
genética/memética. Diz-se: o gene é físico, o meme é imensurável. Genes são
(quase) sempre precisos, memes (quase) nunca. Genes possuem lenta mutação,
milhares de anos, enquanto os memes podem ter rápida evolução, em décadas.
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Você conhece Francisco de Vitória?
Nos anos
1500 -vocês sabem, ocorreram as Grandes Navegações, quando os reinos europeus
buscavam domínio de novos territórios, dizimando, para esse fim, milhares e
milhares de outros humanos que já viviam em tais terras. Tupi-guarani,
Ianomâmi, Incas, entre outros.
Nessa mesma época ainda, tão distante dos anos
1980, data da declaração dos direitos humanos em definitivo, Francisco De
Vitória, Universidade de Salamanca na Espanha, propunha o pensamento a favor
daqueles que, apesar de humanos, tornavam-se animais de carga e trabalho,
quando não morriam nas mãos brancas.
De Vitória acreditava
que a origem da lei emanava da própria natureza, dado que todos dela surgem e
compartilham a vida. Portanto, a ideia de direito natural surgia enfatizando a
liberdade individual e a igualdade, pois, no começo, tudo é comum a todos.
Como todo
visionário, Francisco de Vitória não teve facilidade despejando seus simplórios
pensamentos. A época confrontou a visão dominante da Igreja Católica e das
potências coloniais europeias. A moral cristã tornava legítimo conquistar e
governar os nativos. De Vitória irritou também monarcas, em especial o Rei
Carlos V, da Espanha, ao ameaçar seu direito divino de comandar. O estudioso
definiu que a guerra de dominação justificada no poder catequizador era
contraditória. Usando as próprias leis cristãs ele disse que era do homem o livre-arbítrio,
portanto, se escolhesse não ser inserido nos costumes de outra civilização, que
não fossem forçados.
De Vitória
separou as questões da justiça e da moralidade da religião, em 1500, e lançou
alicerces para estudos futuros do direito internacional e dos direitos humanos.
A doutrina em que estados beligerantes têm responsabilidades e que os não
combatentes têm direitos -preservados nas convenções de Haia e Genebra-
originou-se em seus pensamentos.
A pergunta
que fica é; cadê os direitos humanos dos índios?
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quarta-feira, 27 de maio de 2015
Breve pronunciamento
A busca pelo conhecimento é imprescindível para todo ser humano, logo, para a humanidade. Aliás, o saber humaniza, traz consciência de si e dos demais. Ensina os direitos, deveres e saber se colocar perante o mundo. Ensina também que nenhum homem tem, entretanto, lugar definido à se colocar. O saber liberta.
E não há de se contentar com a libertação do indivíduo. Não à acomodação! Tão errado quando o agressor é aquele que silencia. Aquele que vê e não pronuncia é tão culpado quanto o que oprime e destrói. É preciso falar, clamar e reclamar. Não se pode acostumar-se com o errado, por menor que seja. Um "bom dia" mal dado ainda é um "bom dia" e, esperançoso, merece ser respondido à altura. Quem sabe, no dia seguinte, tal "bom dia" seja mais simpático. E isso é vida.
quarta-feira, 25 de março de 2015
Cada um com seu Mito
Valentes lusitanos predestinados a desbravar o além mar, confrontaram, há mais de 500 anos, a impetuosa e poderosa Igreja Católica, que comandava a sociedade com seus dogmas e ensinamentos, através de um véu de fé e santidade. O mito de que a terra era plana e que ao fim do horizonte nada mais havia que um precipício universal onde desaguavam os oceanos, empregado por esta instituição de gigante influência, foi quebrado graças a coragem de alguns homens e de uma nação que se abria para o conhecimento maior.
Na época, tantos mitos já se quebraram que parecia impossível sustentar semelhantes na Era Moderna. O tal mito da terra plana sumiu junto às naus portuguesas no horizonte do mar Atlântico e, com eles retornaram, além de boas novas e nova terra, outros mitos como serpentes marinhas gigantes, lulas engolidoras de navios, além dos recém criados na América e que se criariam dali para frente, provando que o homem está sempre a criar mitos e, quase sempre, a desvendá-los.
Acompanhem o vídeo : As Grandes Navegações, Mitos e Descobertas
Na época, tantos mitos já se quebraram que parecia impossível sustentar semelhantes na Era Moderna. O tal mito da terra plana sumiu junto às naus portuguesas no horizonte do mar Atlântico e, com eles retornaram, além de boas novas e nova terra, outros mitos como serpentes marinhas gigantes, lulas engolidoras de navios, além dos recém criados na América e que se criariam dali para frente, provando que o homem está sempre a criar mitos e, quase sempre, a desvendá-los.
Acompanhem o vídeo : As Grandes Navegações, Mitos e Descobertas
O Mito da Caverna no século 21
O "Mito da Caverna", aquele em que Platão narra, basicamente, sobre os homens em uma caverna observando as sombras (geradas por uma fogueira; "conhecimento") de seres de fora, deixando-os acuados e permanecendo, então, na caverna (escuridão da mente, ignorância), é bastante conhecido na filosofia e está presente em todo momento da vida de qualquer ser humano, isto é, comodidade e vício são comportamentos ocorrentes nos indivíduos, os quais devem-se negar e usarem-se de meios para não dar brecha para estes e semelhantes, como a preguiça, findando com o ser em estado de mentalidade estática.
O homem é curioso por natureza, entretanto, é igualmente natural a desistência frente a dificuldade ou quando se parece estar satisfeito com a situação, mesmo quando esta apresenta problemas que sejam pequenos. A internet surge como um grande vício do novo século. A facilidade de acesso e a enxurrada de entretenimento barato e atividades que servem unicamente para preencher o tempo vazio torna-se, muitas vezes, um percalço frente a outras atividades inerentes ao ser humano, substituindo a integração "olho no olho" por "emoticons, likes e follows".
- A internet caiu, vou ver como está lá fora.. (!)
O grande problema está no ser humano, de fato. Aquele que se deixa levar pelos sutis trilhos da distração e do vício, e aqueles que se propõem a expor este conteúdo. Portanto, cabe unicamente ao indivíduo se comandar, e não seguir como trens pré-definidos de estação em estação. Contextualizando, a internet não é nenhuma vilã, é uma ferramenta. O homem pode usar um martelo para construir ou consertar uma bela cadeira, e este mesmo humano pode usá-lo para ferir outrem ou a si mesmo.
NOTA : A Caverna de Platão possui muitas interpretações e neste texto foi dito apenas o necessário para o objetivo claro. O Mito é muito mais complexo e recomenda-se que haja aprofundamento no assunto.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Uma flor para Rosa
Em meio a Julianas, Rafaelas, Carolines e Carolinas, Stefanis e Letícias, Marianas e Anas, eu encontrei Rosa. De fato, ela me encontrou. Era meio do ano, cheguei como de costume cedo a escola e ela, Rosa, conseguiu chegar mais cedo ainda. Jamais a vira por ali, e sua indagação me confirmara. "Oi. Onde fica a sala 1901?", disse ela, tocando-me os ombros por trás. Eu, desconcertado, como nunca antes, titubeei. Ela tão naturalmente linda. Tão espontânea. Tão sem medo. "Ali.", disse eu, apontando para a sala 1901, encoberta da pilastra. Ela agradeceu tão rapidamente quanto eu havia me apaixonado e seguiu até lá. Rosa visivelmente saíra de sua escola e matriculou-se no meu coração.
Eu sou um garoto normal, um garoto qualquer, aluno da 1901. Segui até meu lugar, no fundo, tentando procurar aquele rosto. Em vão. Mal sabia eu que Rosa estava em meio àquele grupinho. Rosa era conhecida, popular, assim que chegou. Uma garota como ela certamente atraia atenção, mas isso não lhe retirava a simplicidade e simpatia. Naquele momento - e durante um bom tempo, eu não sabia que estava perdidamente caidinho por ela. A professora fez o favor de me apresentá-la, pois, não haveria modo de eu saber por conta de minha timidez, frente a ela. "Esta é nossa nova aluna, Rosa", disse, sem pompas. Rosa?
A cada dia que se seguia eu conhecia mais e mais Rosa, à distância. Era mudo para ela. E ela o mundo para mim. Ela tinha os cabelos naturalmente lindos e negros, os quais enrolava as pontas algumas vezes nas aulas mais estendidas. Sua boca pequena e vermelha, suas sobrancelhas bem definidas na pele branca. Seu nariz discreto e fino. Seus olhos cansados e, paradoxalmente, vívidos. Suas mãos pequenas e, de longe, macias. Seus gestos calmos e fala bem pensada. Eram todos esses detalhes perfeitos.
Depois de meses naquela escola, Rosa era mais conhecida que eu em anos. Talvez ela não conhecesse tanta gente que a conhecia, como eu. Talvez. Na aula de educação física, lá estava eu, disposto, sem ironia. E ela disse, de longe, "Ei, Felipe!", eu apenas virei em sua direção e esperei que ela se aproximasse. "Tudo bem?", ela perguntou. Eu quase não respondi tão encantado com as sutis sardas que corriam da esquerda para a direita abaixo de seus olhos e eu nunca percebera. Respondi, então, mexendo a cabeça para cima e para baixo."As meninas falaram que eu devia falar com você sobre o trabalho de filosofia", ela disse e eu perguntei, "Como assim?". Ela prosseguiu, "Elas me disseram que você saberia me explicar melhor o que é para fazer, pode?". Acho que até poderia ser visto o sorriso em meus olhos ao ouvir aquelas falas direcionadas a mim. Ela poderia ter me xingado que eu estaria feliz por ter me dado alguma atenção. "Claro. Olha, Aristóteles dizia que ..", ela me cortou, "Não", e deu o sorriso mais lindo, concluindo, "Não agora. A gente tem o final de semana para estudar" e eu apenas, mais uma vez, concordei mentalmente com o que ela dizia, e ela falou, "Será que você pode ir lá em casa amanhã?", eu pirei, muito, e aceitei.
No sábado, lá estava eu, feliz da vida. No quarto dela, esperando uns lanchinhos feitos pela mãe dela. Expliquei a ela o trabalho de filosofia, e, com o tempo sobrando, estudamos matemática. A mãe dela avisou que meu pai estava a minha espera para me levar para casa. Rapidamente Rosa se despediu de mim, sem antes dizer que foi muito bom estudar comigo naquela tarde. Eu não pude acreditar. Até dois dias antes eu era apenas um carinha que ela pediu uma informação há meses, e que ela nem lembrava mais e naquele momento... Bem.,. Eu não sei.
Na segunda-feira eu sentia que precisava falar com ela e, encorajado pelas palavras do meu pai, disse a Rosa, "Oi". Ela educadamente respondeu, me desejando bom dia, também. Foi o bastante para mim. Conforme o passar dos dias e semanas, o fim do ano se aproximando, eu me via cada vez mais envolvido a ela e, achei, ela a mim. Meu pai me incentivava cada vez mais, e dava resultados. Logo eu e Rosa éramos melhores amigos. Me sentia bem. E queria mais. O amor que eu nutria por Rosa era grande demais para ter ela como uma amiga. Meu pai, novamente, me ajudou. Disse-me sobre como conquistou minha mãe; com uma flor. Ele me ajudou a escolher a mais bela flor no cominho da escola, e eu a levei, junto de minha apreensão e medo, e paixão. Assim que cheguei fui decidido até Rosa, rodeada de amigos, que também eram meus amigos, mas não tão amigos assim -quem sabe nem tão amigos dela também. Eu comecei a falar algumas coisas, que nem me lembro devido ao nervosismo da ocasiãoou quem sabe pela vontade do meu cérebro de esquecer tal momento. Eram coisas românticas, coisas do meu eu mais profundo, coisas mais sinceras que alguém possa declarar a quem se ama. Eram coisas estúpidas. Eu finalizei entregando a flor para Rosa, junto a meu pedido de namoro. As pessoas à volta não pareciam acreditar. Nos segundos de hesitação notei que algumas seguravam o riso, outras pareciam assustadas e umas não fizeram questão de disfarçar nada. "Eu não vou aceitar isso, que brega, Felipe" Rosa atirou em meu peito. Irritada, jogou a flor no chão. "O que você estava pensando? Somos amigos! A-mi-gos!" fuzilou-me. "E o que você falou? Não entendi metade, putz", era um Hiroshima e Nagasaki. Todos ao redor podiam rir, agora. A cena a seguir pode ser imaginada por você aí, para mim já dói escrever até aqui.
Rosa, minha linda ordinária, continua com seus amigos e uma parte do meu amor. Mas eu... Ah, eu... Não sou mais o Felipe de frases românticas. A garota simples e romantizada mostrou-me que o amor de nada vale hoje em dia. Uma rosa é uma rosa. Todo o amor que poderia eu sentir, errou o alvo, caiu com a rosa, apodreceu com a rosa e não pode ser recuperado.
Eu sou um garoto normal, um garoto qualquer, aluno da 1901. Segui até meu lugar, no fundo, tentando procurar aquele rosto. Em vão. Mal sabia eu que Rosa estava em meio àquele grupinho. Rosa era conhecida, popular, assim que chegou. Uma garota como ela certamente atraia atenção, mas isso não lhe retirava a simplicidade e simpatia. Naquele momento - e durante um bom tempo, eu não sabia que estava perdidamente caidinho por ela. A professora fez o favor de me apresentá-la, pois, não haveria modo de eu saber por conta de minha timidez, frente a ela. "Esta é nossa nova aluna, Rosa", disse, sem pompas. Rosa?
A cada dia que se seguia eu conhecia mais e mais Rosa, à distância. Era mudo para ela. E ela o mundo para mim. Ela tinha os cabelos naturalmente lindos e negros, os quais enrolava as pontas algumas vezes nas aulas mais estendidas. Sua boca pequena e vermelha, suas sobrancelhas bem definidas na pele branca. Seu nariz discreto e fino. Seus olhos cansados e, paradoxalmente, vívidos. Suas mãos pequenas e, de longe, macias. Seus gestos calmos e fala bem pensada. Eram todos esses detalhes perfeitos.
Depois de meses naquela escola, Rosa era mais conhecida que eu em anos. Talvez ela não conhecesse tanta gente que a conhecia, como eu. Talvez. Na aula de educação física, lá estava eu, disposto, sem ironia. E ela disse, de longe, "Ei, Felipe!", eu apenas virei em sua direção e esperei que ela se aproximasse. "Tudo bem?", ela perguntou. Eu quase não respondi tão encantado com as sutis sardas que corriam da esquerda para a direita abaixo de seus olhos e eu nunca percebera. Respondi, então, mexendo a cabeça para cima e para baixo."As meninas falaram que eu devia falar com você sobre o trabalho de filosofia", ela disse e eu perguntei, "Como assim?". Ela prosseguiu, "Elas me disseram que você saberia me explicar melhor o que é para fazer, pode?". Acho que até poderia ser visto o sorriso em meus olhos ao ouvir aquelas falas direcionadas a mim. Ela poderia ter me xingado que eu estaria feliz por ter me dado alguma atenção. "Claro. Olha, Aristóteles dizia que ..", ela me cortou, "Não", e deu o sorriso mais lindo, concluindo, "Não agora. A gente tem o final de semana para estudar" e eu apenas, mais uma vez, concordei mentalmente com o que ela dizia, e ela falou, "Será que você pode ir lá em casa amanhã?", eu pirei, muito, e aceitei.
No sábado, lá estava eu, feliz da vida. No quarto dela, esperando uns lanchinhos feitos pela mãe dela. Expliquei a ela o trabalho de filosofia, e, com o tempo sobrando, estudamos matemática. A mãe dela avisou que meu pai estava a minha espera para me levar para casa. Rapidamente Rosa se despediu de mim, sem antes dizer que foi muito bom estudar comigo naquela tarde. Eu não pude acreditar. Até dois dias antes eu era apenas um carinha que ela pediu uma informação há meses, e que ela nem lembrava mais e naquele momento... Bem.,. Eu não sei.
Na segunda-feira eu sentia que precisava falar com ela e, encorajado pelas palavras do meu pai, disse a Rosa, "Oi". Ela educadamente respondeu, me desejando bom dia, também. Foi o bastante para mim. Conforme o passar dos dias e semanas, o fim do ano se aproximando, eu me via cada vez mais envolvido a ela e, achei, ela a mim. Meu pai me incentivava cada vez mais, e dava resultados. Logo eu e Rosa éramos melhores amigos. Me sentia bem. E queria mais. O amor que eu nutria por Rosa era grande demais para ter ela como uma amiga. Meu pai, novamente, me ajudou. Disse-me sobre como conquistou minha mãe; com uma flor. Ele me ajudou a escolher a mais bela flor no cominho da escola, e eu a levei, junto de minha apreensão e medo, e paixão. Assim que cheguei fui decidido até Rosa, rodeada de amigos, que também eram meus amigos, mas não tão amigos assim -quem sabe nem tão amigos dela também. Eu comecei a falar algumas coisas, que nem me lembro devido ao nervosismo da ocasião
Rosa, minha linda ordinária, continua com seus amigos e uma parte do meu amor. Mas eu... Ah, eu... Não sou mais o Felipe de frases românticas. A garota simples e romantizada mostrou-me que o amor de nada vale hoje em dia. Uma rosa é uma rosa. Todo o amor que poderia eu sentir, errou o alvo, caiu com a rosa, apodreceu com a rosa e não pode ser recuperado.
sexta-feira, 23 de maio de 2014
"Bom dia" : para não ser tão associável
Desde pequeno, por minha vó, mãe ou tio, fui instruído a ser educado e solícito com todos. E assim foi, por muito tempo. Fugir dessa conduta naquela época me acarretava algumas broncas. É de se admirar uma criança bem educada e fácil retribuir esse comportamento. Hoje vejo que, na verdade, gera uma sensação de estranheza.
O tempo passa porque tem que passar, mas corre ou rasteja por nossas mentes, mesmo. O tempo deu uma rastejada e eu já não era uma criancinha ingênua. Dizer "Bom dia", ou qualquer outra saudação adequada ao horário, fazia parte ainda da minha essência, como fui literalmente, adestrado. Mas agora, já não havia exclamação ao fim da frase. Não trazia-me mais o mesmo sentimento ou seja lá o que se passava na minha mente. Neste momento já me questionava se estava deixando de ser quem eu sempre fui ou se era apenas um processo natural condicionado a todos.
O tempo deu um pique. O "Bom dia" agora já não precisava de resposta, nem mesmo se era bom dia mesmo, ou tarde. Tanto faz. Os problemas não só surgiram, cresceram. Esse tipo de coisa tira do sua vida do âmbito plural para o singular. Por essas e outras que o "dá licença" deu passagem a uma espremida para passar, ou mesmo um esbarrão.
Não sejamos uns trogloditas! Veja, o comportamento em questão é geral, mas não unânime. O tempo levou minha gentileza - ou parte, e não minha humanidade. Não podemos estar na mente de ninguém e, exatamente por isso, ninguém pode estar na nossa. E nessa época minha mente era um local em que nem mesmo eu gostaria de estar.
O tempo já aprendeu a correr, e correu. Já passamos do meio dia? Que seja, acontece que agora o "Bom dia", que já não pedia resposta, não queria mais saber de rostos! Sim, claro. Por um caminho tortuoso foram se perdendo muitas coisas, ganhando-se outras, iludindo-se desses mesmos ganhos e perdas e por fim encontrando um caminho realmente, e não trilhas ou atalhos de terra em meio a grama, que por vezes se espaçam e me fizeram perder o fio da meada. E que fique claro que todas essas faltas de gentileza de minha parte só podem ser chamadas de faltas porque eu as perdi naqueles caminhos que disse acima. Não são faltas de gentileza por parte da sociedade, ora pois, isso é ser um adulto da sociedade - pensava. Muito em breve desaprendi a dizer "Bom dia", o mesmo que perdeu a exclamação, seguido da perda da resposta e depois dos rostos.
As pessoas estão muito preocupadas com seus problemas para se importar com os outros. Afinal, os outros que se preocupem com os seus. É isso. Não há muito o que discutir. A gentileza é um detalhe e é isso que somos todos os dias, seres que não se importam além do seu e se parecem se importar, certamente é por interesses pessoais, ou mera formalidade.
Há quase cinco meses me mudei para o novo apartamento, menor, mas de melhor localização na cidade.
Descobri ontem que tenho uma vizinha com necessidades especiais, os demais nunca vi de verdade. Não sei o nome do porteiro e muito menos do carinha dos serviços gerais. Não por má vontade ou indiferença, mas por tempo. Sim, ele mesmo. Para todos nós chega um momento em que não temos tempo para mais nada além daquilo que nos interessa. Quando achamos que não temos tempo para mais nada, descobrimos que podemos ter ainda menos tempo. Nesse instante já deixei de formalidades como "Bom dia", nem mesmo me importo se acham isso falta de respeito, afinal, não seria mais despeito perguntar sem ter o menor interesse? Talvez.
Eu passei muito tempo sendo um cara que não dizia mais que o necessário, e passava a maior parte do tempo adiantando os interesses próprios e coisas do tipo. Em um momento percebi que me distanciei da família e amigos, um pouco ao menos, e que fechei a porta para novas pessoas na minha vida. Eu passei a ser algo muito diferente do que eu acreditava ser o que sou de verdade, e isso, como num estalo, me trouxe a impressão de que estava errado continuar com isso. É preciso avaliar as perdas e os ganhos não mediante ao que você acha ser um ganho ou uma perda, mas sim a partir daquilo que propomos a nossas mentes como o que é certo ou errado. Se você acha que é certo ganhar em cima da perda alheia, você está errado. E se acha correto perder como um sacrifício para um bem maior, muitas vezes está certo.
Depois de alguns treinos o "Bom dia" voltou ao meu vocabulário. Não espere que meu cotidiano mude tão facilmente também. Maus hábitos se instalam como de forma confortável e inesperada, mas para acabar com eles .. tsc! O que importa é que minha mente já atentou que, é ela quem faz o tempo correr ou caminhar. E que não existem mundos particulares e sim um, cheio de gente que crê em mundos particulares.
Vou praticar meu "Bom dia" apenas para não ser tão associável, por enquanto. Breve serei aquilo que meus parentes me ensinaram quando pequeno, e que é ainda minha essência. Vou deixar esses adultos admirados como há algum tempo atrás e tentar fazer essa sociedade ser um pouco mais intimista.
O tempo passa porque tem que passar, mas corre ou rasteja por nossas mentes, mesmo. O tempo deu uma rastejada e eu já não era uma criancinha ingênua. Dizer "Bom dia", ou qualquer outra saudação adequada ao horário, fazia parte ainda da minha essência, como fui literalmente, adestrado. Mas agora, já não havia exclamação ao fim da frase. Não trazia-me mais o mesmo sentimento ou seja lá o que se passava na minha mente. Neste momento já me questionava se estava deixando de ser quem eu sempre fui ou se era apenas um processo natural condicionado a todos.
O tempo deu um pique. O "Bom dia" agora já não precisava de resposta, nem mesmo se era bom dia mesmo, ou tarde. Tanto faz. Os problemas não só surgiram, cresceram. Esse tipo de coisa tira do sua vida do âmbito plural para o singular. Por essas e outras que o "dá licença" deu passagem a uma espremida para passar, ou mesmo um esbarrão.
Não sejamos uns trogloditas! Veja, o comportamento em questão é geral, mas não unânime. O tempo levou minha gentileza - ou parte, e não minha humanidade. Não podemos estar na mente de ninguém e, exatamente por isso, ninguém pode estar na nossa. E nessa época minha mente era um local em que nem mesmo eu gostaria de estar.
O tempo já aprendeu a correr, e correu. Já passamos do meio dia? Que seja, acontece que agora o "Bom dia", que já não pedia resposta, não queria mais saber de rostos! Sim, claro. Por um caminho tortuoso foram se perdendo muitas coisas, ganhando-se outras, iludindo-se desses mesmos ganhos e perdas e por fim encontrando um caminho realmente, e não trilhas ou atalhos de terra em meio a grama, que por vezes se espaçam e me fizeram perder o fio da meada. E que fique claro que todas essas faltas de gentileza de minha parte só podem ser chamadas de faltas porque eu as perdi naqueles caminhos que disse acima. Não são faltas de gentileza por parte da sociedade, ora pois, isso é ser um adulto da sociedade - pensava. Muito em breve desaprendi a dizer "Bom dia", o mesmo que perdeu a exclamação, seguido da perda da resposta e depois dos rostos.
As pessoas estão muito preocupadas com seus problemas para se importar com os outros. Afinal, os outros que se preocupem com os seus. É isso. Não há muito o que discutir. A gentileza é um detalhe e é isso que somos todos os dias, seres que não se importam além do seu e se parecem se importar, certamente é por interesses pessoais, ou mera formalidade.
Há quase cinco meses me mudei para o novo apartamento, menor, mas de melhor localização na cidade.
Descobri ontem que tenho uma vizinha com necessidades especiais, os demais nunca vi de verdade. Não sei o nome do porteiro e muito menos do carinha dos serviços gerais. Não por má vontade ou indiferença, mas por tempo. Sim, ele mesmo. Para todos nós chega um momento em que não temos tempo para mais nada além daquilo que nos interessa. Quando achamos que não temos tempo para mais nada, descobrimos que podemos ter ainda menos tempo. Nesse instante já deixei de formalidades como "Bom dia", nem mesmo me importo se acham isso falta de respeito, afinal, não seria mais despeito perguntar sem ter o menor interesse? Talvez.
Eu passei muito tempo sendo um cara que não dizia mais que o necessário, e passava a maior parte do tempo adiantando os interesses próprios e coisas do tipo. Em um momento percebi que me distanciei da família e amigos, um pouco ao menos, e que fechei a porta para novas pessoas na minha vida. Eu passei a ser algo muito diferente do que eu acreditava ser o que sou de verdade, e isso, como num estalo, me trouxe a impressão de que estava errado continuar com isso. É preciso avaliar as perdas e os ganhos não mediante ao que você acha ser um ganho ou uma perda, mas sim a partir daquilo que propomos a nossas mentes como o que é certo ou errado. Se você acha que é certo ganhar em cima da perda alheia, você está errado. E se acha correto perder como um sacrifício para um bem maior, muitas vezes está certo.
Depois de alguns treinos o "Bom dia" voltou ao meu vocabulário. Não espere que meu cotidiano mude tão facilmente também. Maus hábitos se instalam como de forma confortável e inesperada, mas para acabar com eles .. tsc! O que importa é que minha mente já atentou que, é ela quem faz o tempo correr ou caminhar. E que não existem mundos particulares e sim um, cheio de gente que crê em mundos particulares.
Vou praticar meu "Bom dia" apenas para não ser tão associável, por enquanto. Breve serei aquilo que meus parentes me ensinaram quando pequeno, e que é ainda minha essência. Vou deixar esses adultos admirados como há algum tempo atrás e tentar fazer essa sociedade ser um pouco mais intimista.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Falta aos brasileiros - Ética comportamental
Moral : substantivo abstrato referente a um conjunto de regras pré-estabelecidas por um grupo garantindo sua convivência em harmonia. Quem vai contra estas regras esta sujeito a punição. Por exemplo, agredir uma pessoa é contra a moralidade da nossa sociedade e é sujeita a punição, assim como a pichar propriedade alheia ou pública é crime, até mesmo ambiental.
Ética : termo que designa normas determinadas por cada indivíduo do que é certo e/ou errado de se fazer, independentemente da moral. Por exemplo, uma senhora carregando sacolas. Algumas pessoas podem se sentir quase obrigadas a ajudá-la, outras podem não se importar com a situação. Como a ética é pessoal, não é prevista nenhuma punição para alguém que não a faça.
O Brasil, um país grandioso - em tamanho territorial, está engatinhando em educação para todos e acima disso, em respeito ao próximo e ao comportamento numa sociedade.
Uns dias atrás, eu estava observando preços de uns iogurtes na secção de frios no mercado quando a minha esquerda observo uma cena no mínimo digna de minha atenção. Um rapaz, por volta de seus 16 anos ouvia música com seu aparelho de última geração, enquanto aguardava para verificar o preço de um daqueles pacotes de salgadinhos que vem mais ar do que produto, em uma dessas maquininhas que todo supermercado tem. Após alguns segundos o rapaz já denotava sinais de impaciência - característico nestes tempos - e deu uma olhadela no celular, aparentemente para ver as horas.
A sua frente um senhor com seus sábios mais de 80 anos, demonstrava dificuldade para verificar o preço de um produto de limpeza. Assim continuou por um tempo, sendo observado com certa indignação pelo jovem, como se o senhor tivesse alguma culpa. Engana-se quem pensa que aquilo continuou por muito tempo. Não demorou muito para o rapaz se RETIRAR dali com pressa, enquanto o senhor ainda não sabia o preço do produto.
Agora eu os indago: o que há de sabedoria neste exemplo verídico? Um jovem alienado com roupas da moda e celular high-tech conhecer mais de 900 bandas, saber a letra de mais de 200 músicas e a biografia de 10 vocalistas destas bandas? Não! Sabedoria com certeza tem aquele senhor, com seus 80 anos vividos sem celular, que já não possui a destreza necessária para usar a máquina de preços do mercado.
O rapaz, em vez de oportunizar fazer o bem ao próximo, tirar de apuros aquele velho homem e ainda se ajudar - pois seria ele o próximo - preferiu seguir em frente, talvez a procura de outra maquininha.
Felizmente, quando eu já me direcionava ao velho, uma atendente do mercado se prontificou a fazer por mim. Atitudes como essa, além de fazerem bem a nós mesmo, tiram vários velhinhos simpáticos de dificuldades momentâneas.
A ética comportamental é uma das coisas que falta a muitos e muitos brasileiros. Acompanhe : ajudar um cego a chegar a um certo local, ceder lugar num transporte público a alguém que realmente precise, não furar filas, não agir de forma preconceituosa, não jogar lixo na rua, pegar a carteira caída e correr atrás do dono, segurar a porta para alguém ... são atitudes que a maioria julga como certas e que devem ser feitas, mas poucos são aqueles que se preocupam em perder uns minutos de seu corrido dia para cometê-las. Essas atitudes não custam nada e não é por que não agregam punição que não devem ser feitas.
Por fim, como podemos cobrar integridade, transparência, respeito, cordialidade, sinceridade, educação e responsabilidade aos nossos comandantes, àqueles que governam este país ou mesmo a qualquer pessoa se não cumprimos com a ética em nossos dia a dia?
Você critica, mas você não pratica! Vamos fazer desse país algo melhor, vamos esquecer um pouco da estética e lembrar mais da ética.
Ética : termo que designa normas determinadas por cada indivíduo do que é certo e/ou errado de se fazer, independentemente da moral. Por exemplo, uma senhora carregando sacolas. Algumas pessoas podem se sentir quase obrigadas a ajudá-la, outras podem não se importar com a situação. Como a ética é pessoal, não é prevista nenhuma punição para alguém que não a faça.
O Brasil, um país grandioso - em tamanho territorial, está engatinhando em educação para todos e acima disso, em respeito ao próximo e ao comportamento numa sociedade.
Uns dias atrás, eu estava observando preços de uns iogurtes na secção de frios no mercado quando a minha esquerda observo uma cena no mínimo digna de minha atenção. Um rapaz, por volta de seus 16 anos ouvia música com seu aparelho de última geração, enquanto aguardava para verificar o preço de um daqueles pacotes de salgadinhos que vem mais ar do que produto, em uma dessas maquininhas que todo supermercado tem. Após alguns segundos o rapaz já denotava sinais de impaciência - característico nestes tempos - e deu uma olhadela no celular, aparentemente para ver as horas.
A sua frente um senhor com seus sábios mais de 80 anos, demonstrava dificuldade para verificar o preço de um produto de limpeza. Assim continuou por um tempo, sendo observado com certa indignação pelo jovem, como se o senhor tivesse alguma culpa. Engana-se quem pensa que aquilo continuou por muito tempo. Não demorou muito para o rapaz se RETIRAR dali com pressa, enquanto o senhor ainda não sabia o preço do produto.
Agora eu os indago: o que há de sabedoria neste exemplo verídico? Um jovem alienado com roupas da moda e celular high-tech conhecer mais de 900 bandas, saber a letra de mais de 200 músicas e a biografia de 10 vocalistas destas bandas? Não! Sabedoria com certeza tem aquele senhor, com seus 80 anos vividos sem celular, que já não possui a destreza necessária para usar a máquina de preços do mercado.
O rapaz, em vez de oportunizar fazer o bem ao próximo, tirar de apuros aquele velho homem e ainda se ajudar - pois seria ele o próximo - preferiu seguir em frente, talvez a procura de outra maquininha.
Felizmente, quando eu já me direcionava ao velho, uma atendente do mercado se prontificou a fazer por mim. Atitudes como essa, além de fazerem bem a nós mesmo, tiram vários velhinhos simpáticos de dificuldades momentâneas.
A ética comportamental é uma das coisas que falta a muitos e muitos brasileiros. Acompanhe : ajudar um cego a chegar a um certo local, ceder lugar num transporte público a alguém que realmente precise, não furar filas, não agir de forma preconceituosa, não jogar lixo na rua, pegar a carteira caída e correr atrás do dono, segurar a porta para alguém ... são atitudes que a maioria julga como certas e que devem ser feitas, mas poucos são aqueles que se preocupam em perder uns minutos de seu corrido dia para cometê-las. Essas atitudes não custam nada e não é por que não agregam punição que não devem ser feitas.
Por fim, como podemos cobrar integridade, transparência, respeito, cordialidade, sinceridade, educação e responsabilidade aos nossos comandantes, àqueles que governam este país ou mesmo a qualquer pessoa se não cumprimos com a ética em nossos dia a dia?
Você critica, mas você não pratica! Vamos fazer desse país algo melhor, vamos esquecer um pouco da estética e lembrar mais da ética.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Sociedade do Consumo
É o tema de agora. Você, eu, eles ... somos todos consumidores e não há nada de errado nisso. É necessário e quase impossível não consumir. O problema está quando ele se instala quase que como uma febre, fazendo de nós zumbis movido a compras.
Você pode até não se declarar como um zumbi-do-consumismo, mas as chances de você ser são de 1 para 2 nessa Sociedade do Consumo.
A cultura consumista que temos hoje é progresso da iniciada em meados do século passado com o fixamento do capitalismo pelo globo iniciado pela América - vocês sabem exatamente por quem.
O consumo é a base do capitalismo, é o que faz a grande roda da vida urbana girar.
Desde pequenos estamos incluídos no meio consumista. Aliás, as crianças são um forte alvo para o capitalismo. Qual pai resiste a um pedido incessante do seu filho? E com isso gerando futuros adultos consumistas é a tática perfeita que vem dando certo a algumas décadas.
Desde pequenos estamos incluídos no meio consumista. Aliás, as crianças são um forte alvo para o capitalismo. Qual pai resiste a um pedido incessante do seu filho? E com isso gerando futuros adultos consumistas é a tática perfeita que vem dando certo a algumas décadas.
As grandes empresas usam de todos artifícios para induzir-nos à compra. Qualquer mídia além de outdoors espalhados pela cidade. Em qualquer canto pode-se ver uma marca, em todos os lugares e em todos os momentos do dia somos bombardeados por propagandas.
E esta cultura traz consequências graves.
Com o aumento urbano cresceram também as técnicas capitalistas para que compremos mais e mais. Uma delas é diminuir a vida útil do bem comprado, que pode ser visto em todos os setores - quando o que deveria acontecer era justamente o contrário. Na maioria dos casos a falha programada acontece de tal forma que não é possível consertar ou o conserto é caro demais, levando a mais uma compra. Isso se aplica a todas as lojas e produtos.
Outra artimanha é a ilusão de que um produto é mais funcional e avançado que o anterior, quando na verdade as diferenças são mínimas. Mas o mais recente parece melhor, seja pela aparência ou por alguma funcionalidade nada funcional. Então você deve comprá-lo e descartar o anterior, do contrário você será obsoleto e excluído de certos meios. Criou-se um novo preconceito, contra pessoas que vivem na "idade-da-pedra" por usarem produtos de 1, 3 ou 5 anos atrás que julgam ainda úteis.
O descarte de produtos como acontece, de forma rápida, acaba gerando acúmulo de lixo em massa, que contaminam e destroem a fertilidade de qualquer solo, lençóis freáticos e rios. Uma das saídas encontradas é a queima, que nos traz outros e tão graves problemas. Com a queima produzimos agentes tóxicos mais potentes que são dispersos no ar.
Estas usinas de queima não se localizam perto dos centros urbanos para não atrair atenção negativa. Mas de nada adianta, já que para uma nuvem tóxica não existem fronteiras. Levadas pelo ar elas contaminam nosso cotidiano e florestas, e este talvez seja o grande potencializador do tão falado Aquecimento Global.
No fim dessa cadeia os mais afetados são as coisas naturais, que se apequenam a cada segundo. E elas sofrem desde o início já que é de lá que tiramos tudo de que precisamos para produzir e que NÃO se renovam.
As pessoas buscam satisfação pessoal em adquirir bens e esquecem de providenciar cuidados médicos, educação, infraestrutura, sustentabilidade, igualdade e justiça.
Felizmente, podemos ver uma ponta de esperança em alguns grupos que buscam a sustentabilidade, química verde, produção em ciclo fechado, energia renovável, não-consumismo, recuperação da natureza e outras medidas urgentes.
Não priorizem coisas erradas, ou seremos pré-horrorizados.
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Ah! O carnaval
Bem, antes da parada carnavalesca eu avisei sobre um tempo (que não durou muito), mas engana-se quem pensa que meu interesse era de sair e curtir o feriado. Esperava eu justamente por ele para desligar-me da escola, me distrair lendo algo ou vendo filmes - algumas coisas que difícilmente encontro tempo quando a escola começa a engrenar - enquanto o pessoal se "divertia" por aí.
Eu, como morador do Rio de Janeiro, orgulhosamente, e ainda numa das áreas mais agitadas neste período, me ví numa cituação curiosa. Sendo eu não muito festivo ou popular, muito menos propenso a multidões estive quase que obrigado a participar do carnaval como um folião de carteira. Família, amigos e até mesmo vizinhos - que no caso não são meus amigos nem muito menos famíliares - me forçaram a ir aos blocos e me divertir! Alguém lembrou de perguntar-me o que é diversão para mim? Creio que não.
Depois me taxam de não-sociável ... bem, isso pra mim não é socializar, é contribuir com coisas erradas.
Tudo bem que eu fui, confesso. Mas são poucos que sabem aproveitar com responsabilidade.
O carnaval não é de TODO ruim, vejam o comércio em geral, vendedores ambulantes e lojas de fantasias e afins, por exemplo. Talvez em nenhuma outra data eles lucrem tanto. Tudo bem que a prefeitura, com o dizer de organizar a festa, cadastram os vendedores que circulam pelas ruas para na verdade lucrar um algo mais nisso. Mas lembrem que o carnaval não dura o ano todo, pequenos comerciantes.
É ... esperem, estou a pensar em algo positivo a mais para citar. Ah, sim! As fantasias são uma parte bacana da festa, dando oportunidade para usar a criatividade de forma geral - não como o Helloween, que é limitado ao gênero sinistro e não é muito popular no Brasil.
Outro ponto positivo é a história que traz o carnaval. Apesar de não ser uma festa geniunamente brasileira, tem longa data por aqui e pode nos dar a oportunidade de conhecer um pouquinho das histórias curiosas que se confundem com a história do Brasil, com atento ao Rio de Janeiro com seus blocos característicos além dos que trazem as escolas de samba, na maioria das vezes.
Bem, vendedores que lucram acima da média, fantasias, um pouco de história ... não consigo enxergar mais nada positivo que seja intimamente ligado ao carnaval.
Agora vamos aos pontos negativos. Que podem não ser tantos, mas são tudo.
Drogas e drogas
Durante o carnaval as bebidas alcoólicas são um atrativo a mais para aumentar a sensação de diversão, mas elas não agem sozinhas. Drogas sintéticas chegam pra deixar todo mundo doidão de vez. Consideradas ilegais, elas circulam tranquilamente entre todos inclusive nas mãos de menores.
O risco não é só para os que estão a volta do cidadão que as usa, pois tira-o da realidade concreta. Mas também ao próprio usuário, e eu não estou falando de uso a longo prazo. Muitas das substâncias usadas levam facilmente a desidratação e até a parada cardiorespiratória, principalmente aliados a energéticos.
Mortes
Com bebida pra todo lado, os ânimos nos mais altos níveis e as pessoas fora de si fica fácil de rolar brigas e acidentes de trânsito. Que já são um tremendo transtorno em todos os sentidos para os envolvidos, se tornam uma mancha na vida quando envolve a morte, o que não é raro, mesmo.
Sexo, estupro e aborto
A festa onde tudo é permitido acaba fazendo que foliões mais exaltados, que não são poucos, se sintam a vontade a seder aos desejos e acabam se pegando pra valer sem importar o lugar. Afinal, é festa para todo lado. E isso tá certo? Pegação extrema, hetero ou homo, frente a crianças ou mesmo pessoas de família que só estão ali para se distrair um pouco.
As pessoas realmente perdem a noção quando o álcool e/ou drogas sobem á cabeça. E vejam só, mesmo as drogas lícitas levam a um ponto mais crítico, o estupro.
Pois, carnaval é pegação e você, sujeito garanhão e com bosta na cabeça se interessou pela pequena jeitosa alí. Você até tentou uma investida que não deu certo. O que você faz? Vai embora, parte pra outra, certo? Não, folião garanhão com desvio intestinal viseral! Você é bombado e ela parece estar sozinha, o local é propício e .. 15% dos casos de queixa na polícia durante este período são relacionados de assedio e/ou estupro, ou mesmo tentativa. E isso nos leva ao próximo trecho, o aborto.
Uma curtida com aquele gato, e o clima esquenta mas não tem camisinha. O que acontece? Eles fodem!
Ah! sim, a quantidade e facilidade em cometer um aborto hoje é um convite a não proteção.
Pois a proteção é apenas para não engravidar, pensam alguns que eu sei.
O índice de transmição de doenças sexualmente transmisíveis é absurdo! E, amigos, estamos falando de coisas que levam a morte, Aids e outras doenças. Isso não se prende somente aos gays, que curtem mais um pele a pele.
A imagem passada pelo carnaval ao mundo com certeza não é das melhores. Mulheres, drogas e desordem. É isso que você almeja para seu país? Se for, você é um depravado desgraçado de merda.
Muitos desses problemas poderiam ser selados com uma ótima organização, mas neste quesito estamos carentes.
E o dinheiro? Ah, dinheiro ... é disso que ELES gostam. E para o goza do povo, nada mais justo que tirem dos cofres públicos todo a bufunfa para bancar a zorra. Dinheiro que poderia ser investido em saúde e educação, este último que tanto falta a essa gente. Fora isso, gostaria de citar o lixo pela cidade, o envolvimento de escolas de samba com a ilegalidade, prostituição entre outros problemas que não desenvolvi-os aqui por estar cheio de coisas ruins. Mas claro que tudo isso não é claramente visto, muito porque os globais mostram apenas o que convém para este convenho ladrão.
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