terça-feira, 1 de março de 2016
Galáxias e espólios
Carregamos uma galáxia nos olhos
Brilhante e sem vida
Como amamos a nostálgica caixa de espólios
Distante e perdida
A medalha da guerra de Carlos
Era um importante símbolo
Da luta, do sangue, dos calos
Um vinho doce e víboro
Lúcia se agradava com a ignorância
Ignorava as dores, as marcas
Esperta desde a infância
Onde deixou seus maiores traumas
Carlos e Lúcia
Unidos
Carne e unha
Desconhecidos
Noites só na cama de casal
Desprendiam seus pesadelos calados
Um mar inteiro de sal
Solitários lado a lado
Que houvesse amor
Ou, se o visse
Mais ou menos cor
Creio que existisse
Mas, carregamos uma galáxia nos olhos
Brilhante e sem vida
Como amamos a nostálgica caixa de espólios
Distante e perdida
Amanhã e hoje
Amanhã eu tenho um amigo
para conhecer
Nele confio
confio, pois, devo para ser
Depois, à tarde
tenho um cachorro
para enterrar, arde
pouco
Eu tenho planos para cada
amanhã, mas, hoje
Hoje não tenho nada
Tudo me foge
Eu tenho uma mãe, um pai
amanhã, comigo
para lembrar do que vai
quando sozinho
Amanhã eu tenho uma linda garota
E nós, uma pequena vida
Proteger, estar, me logra
Numa casa no topo da descida
Amanhã, mas hoje não
Hoje nada possuo
Hoje, então
o vácuo é mútuo
Amanhã, sei que terei
quem olha por mim
Quem? Ei...
Sei que sim
O hoje me estranha
pelo arredio semblante
O amanhã me ganha
ainda que distante
Amanhã eu tenho
Hoje, falta
mesmo sendo
tudo da mesma alma
No hoje de posse
quem nada tem, veja
Nada é e perece
Se nada é, nada terá, até que seja
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