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segunda-feira, 1 de maio de 2017
O menino Armin
- Pensei em ser escritor. Seria um radicalista dentro da minha família. Um radical sem bombas, sem armas, só letras e personagens. – contou Armin, de treze anos. A poesia parecia fluir naturalmente para ele, ainda que – Nunca li um livro, só a Torá. – Confessou. O garoto vive num pequeno vilarejo entre grupos terroristas e instalações militares. O governo não interfere ali.
Os jornalistas aqui para reportar a situação dessa gente são bem-vindos em toda casa. São pessoas carentes ainda que pouco esperançosas. É um ato heróico sonhar nessas terras onde o sono é interrompido por explosões e tiros. Há nove dias eu vejo isso onde vive Armin e ele é o único que tenta levar uma vida normal, indo à escola, brincando e pensando no futuro.
- Meu pai tinha dito que esse ano eu deveria começar a trabalhar com ele no armazém, mas saquearam a loja, queimaram os armários e não sobrou quase nada. – Armin dizia sentado em um caixote, de frente para mim. Nós costumávamos conversar sempre depois do almoço. Ele me contava sobre seus familiares, sobre o que ele enxerga da guerra e sobre seu dia – E hoje Milad não foi para a aula. A professora disse que ela e os pais embarcaram em um navio de refugiados. Eu não sei para onde eles foram. – Provavelmente não fazia sentido sair de seu país, uma vez que o pequeno nunca soube o que é a paz.
Naquele dia fomos jogar bola. Ele se divertia ainda que fossemos péssimos. E eu fazia questão de pegar a bola surrada e chamar os outros garotos. Em momentos como este até as crianças sem infância no rosto conseguiam sorrir de forma inocente.
- Eu não gosto tanto de rezar. – Armin me disse baixinho, antes de correr para os afazeres de sua religião. Aos treze os meninos judeus se tornam Bar Mitzvah e uma de suas funções é a leitura matinal da Torá durante um certo período.
Ontem, quando encontrei com Armin, ele parecia apático me observando a arrumar as câmeras. Eu perguntei o que ele tinha e ele balançou a cabeça em negação. Eu não gravei nossa conversa naquele dia. Foi a única vez que o vi chorar.
- Meu avô morreu. – o garoto havia sido criado pelo avô até os oito anos. Quando a guerra civil iraniana avançou sobre a cidade onde viviam, a família se afastou dos rebeldes, deixando o avô, avó e um tio para trás. – Ele não queria abandonar nossa casa.
Hoje, quando deixo o Irã e retorno ao Brasil, não achei Armin. Não encontrei seus pais e nem seus irmãos. Todos que viviam naquele casarão meio à zona de guerra haviam deixado o local. No banco onde eu registrava em vídeo as conversas com o menino Armin, o próprio deixou uma carta.
“Este é meu primeiro escrito, Renato. Desculpe a letra ruim, ainda vou aprender a escrever como você. Peço desculpas também por não me despedir, meu pai nos apressou quando ainda estava escuro e está colocando as coisas em um carro cheio de pessoas estranhas. Eu quero agradecer a todas as coisas que você me falou sobre seu país, sobre sua família e como prometi não deixarei meus sonhos de lado. Eu acho que para onde estamos indo eu vou ter mais chances de escrever algo bom. Ah, decidi que contarei a história do meu avô Siamak. Preciso ir, adeus.”
domingo, 6 de novembro de 2016
Outra vez segunda-feira
Outra vez segunda-feira, o relógio despertou, eu não. Em cima da hora me vi na rua arrumado e estressado junto de todas aquelas pessoas apressadas.
Outra vez segunda-feira e o ônibus custa a cruzar a esquina em minha direção. Não me consola o fato de não ser somente eu. O estresse das manhãs de segunda afeta todos, aparente nas pernas agitadas e olhares impacientes numa dessas bucólicas ruas da Lapa ou Catete, já não faz diferença. A irritação do início da semana é sempre a mesma, alheia ao endereço.
A chuva que se anunciava nas pesadas nuvens acima de mim gota à gota transbordava meu mau-humor. Fez também uma revoada de pombos fugir da praça e buscar abrigo na marquise ao meu lado. Neste momento vi meu ônibus surgir na esquina. Minha segunda parecia melhorar, afinal. Não! Mais uma vez engano, como geralmente acontece. Um dos malditos pombos me trouxe de volta para aquela segunda-feira. Camuflado dentre muitos pingos de chuva, o desgraçado cagou no meu terno.
Outra vez segunda-feira e eu me atrasei, não peguei o ônibus, não fui ao trabalho.
terça-feira, 1 de março de 2016
Amanhã e hoje
Amanhã eu tenho um amigo
para conhecer
Nele confio
confio, pois, devo para ser
Depois, à tarde
tenho um cachorro
para enterrar, arde
pouco
Eu tenho planos para cada
amanhã, mas, hoje
Hoje não tenho nada
Tudo me foge
Eu tenho uma mãe, um pai
amanhã, comigo
para lembrar do que vai
quando sozinho
Amanhã eu tenho uma linda garota
E nós, uma pequena vida
Proteger, estar, me logra
Numa casa no topo da descida
Amanhã, mas hoje não
Hoje nada possuo
Hoje, então
o vácuo é mútuo
Amanhã, sei que terei
quem olha por mim
Quem? Ei...
Sei que sim
O hoje me estranha
pelo arredio semblante
O amanhã me ganha
ainda que distante
Amanhã eu tenho
Hoje, falta
mesmo sendo
tudo da mesma alma
No hoje de posse
quem nada tem, veja
Nada é e perece
Se nada é, nada terá, até que seja
terça-feira, 31 de março de 2015
A jornada
Naquela manhã sem sol, só neblina
fui eu acordado por um sinal de vida
um choro, berrado, estridente me fez abrir as vistas
e silenciou-se, no ato, como se fechasse a ferida
Eu levantei daquele buraco, de terra
Me ergui ainda molhado num cenário de guerra
talvez seria esse o motivo daquele que a pouco berra
talvez se tornasse meu motivo de lamento, mas não era
Eu corri, e em alguns passos já não vira aquilo
eu estava envolto de belas fadas e esquilos
sinfoniados por uma orquestra de grilos
além de outros bichos de muitos filos
Logo, seu Coruja, me deu o que comer
Me deu um leito e leite morno pra adormecer
Mas eu não queria dormir, queria viver
antes de sair dei minhas palavras para agradecer
Lá estava eu, com montanhas à leste
correndo por vales, planices, estepes
matas, cavernas, e outros tipos destes
até caminhar pelos campos do oeste
Lá, lugar cheio de cheiro
sabor e tempero
o tempo inteiro
eu cai de face num xiqueiro
Ah, seu porco!
Perdoe-e, sou louco!
como posso me redimir e nada ou pouco
tenho de fato.. E ele disse, rouco
"Se está se desculpando por pisar no meu lar
com perdão do trocadilho que vou falar;
espero mesmo que seja desequilibrado, mas vá
não há porque não sorrir para visitas no jantar"
E eu que tinha fome, fui servido
E narrei o que até ali tinha vivido
omiti isso e aquilo
e só falei mesmo das fadas e dos esquilos
Na saída, na estrada, em alguns passos
antes que os porcos se tornassem escassos
enquanto me perguntava o que de fato
eu fiz, faria, e faço
Fui jogado de novo, de cara pro chão
tropecei numa linda pedra redonda que brilhava a paixão
Olhei, olhei e olhei, ninguém disse não
e carreguei a pedra na mão
Com ela eu fui, segui, vivendo
junto a ela fui crescendo
juntos fomos envelhecendo
mas eu não descia meu grande apreço
Pela pedra, que igual não tinha
Tão encantadora e um homem que comprava vendia
logo tacou os olhos pra cima
e eu, sem saber o que fazer, escondia
O homem de chapéu curto
era grande e tornou tudo mais escuro
Me ofereceu muitas coisas, absurdo!
eu disse não e me apressei temendo o furto
Ele insistiu, e pôs suas pernas peludas
envergadas e cascudas
Pra me perseguir até que me alcançou com a cara carrancuda
e, tirando o chapéu, deu ar pro par de chifres corcunda
"Qualquer coisa que tenhas visto e não teve
Qualquer coisa que tenhas tido e perdestes
Qualquer coisa que tenha vivido e morreste
Qualquer preço que tenhas em mente"
E eu, somente, neguei
E o motivo da insistência indaguei
e ele remoído por dentro, pensei
somente deu as costas, e eu deixei
Eu aproveitava cada vento
cada terra, cada fruta, em silêncio
cada paisagem, cada conversa de sentimento
de cada coisa desfrutei por um momento
Certa vez, numa sombra de árvore
Avistei linda e grande ave
esperei contente que cantasse
mas aquela não era uma boa fase
Eu chamei a mulher, que desceu dos galhos
Eu perguntei a ela porque tanto silêncio e um canto falho
Será que para contornar a tristeza não havia atalho?
E ela me disse debaixo daquele orvalho
"Meu canto está torto, não adianta
perdi uma engrenagem da garganta.
A tristeza é tanta!
Sou uma linda ave grande que não canta"
Linda, e mais ainda de perto, diante
daquele desabafo apaixonante
eu não medi forças para ajudar, confiante
mas nenhuma de minhas teorias fez com que ela cante
Ela abriu o bico, e eu vi sua dor
lá, no canto direito superior
faltava uma peça em seu interior
e eu trouxe a solução com amor
Lasquei uma parte, e só uma parte
de minha pedra, e com arte
tracei a forma perfeita pr'aquela ave
que enfim, pôde de novo, cantar nos ares
Eu andei, novamente, por todos os cantos do mapa
e com todos os amores e sorria, e cada
tinha um toque diferente, e do nada
eu senti que faltavam degraus na minha escada
Espaço este que parecia
se preencher quando, agradecida
de manhã, ainda um pouco adormecida
a mulher ave cantava pra mim, lá de cima
Numa dessas conversas eu coloquei uma flor em seu cabelo
Com pressa ela ergueu o mais alto voo, e não voltou cedo
eu vi o amor subir, sumir e hoje percebo
que fui tolo, bobo e o que mais mereço
Meus pés já estavam cansados
e nem todos os lugares mais apreciados
me faziam ter ânimo, pois o mundo era eu, desolado
E qualquer estrada era caminho, qualquer lado
Isto é, por mais que cansado, ainda vivia
E por tudo que eu vira
não contar tudo para outros, não valia
Mas a noite caiu de vez, e fria
Para minha sorte, vi uma cabana
Lá no meio do nada, me chama
Lá tinha lenha, que inflama
e trazia prazer deitado na cama
A dona era uma cega que comprava a preço de ouro
qualquer coisa que brilhasse mais que um pouco
"Isso aí em sua mão direita?" - disse a velha de cabelos louros
E vendi minha pedra, pra evitar mau agouro
Eu não queria! Era tudo que eu tinha
Eu não queria, mas era tudo que eu tinha
e agora meus pés estavam sem sapatilhas
e mais cansados que uma cabrita!
Eu andei até um riacho
e sentei na beira, junto ao fracasso
com o tempo as águas, eu acho
pareciam seguir mais devagar com seus passos
Tudo que eu sabia era andar
e isso só me ensinou a me cansar
Cada estrada me fez sorrir e chorar
Feliz no momento e triste por acabar
E eu queria que fosse mentira
aquilo que eu tinha, a vida
Para que eu pudesse refazer de forma mais divertida
se bem que eu não poderia pensar de forma mais inventiva
Eu aceitei que era verdade
E tudo que eu tinha era o cansaço da idade
e tudo que eu tinha naquele momento de saudade
era o rio, levando folhas, que quisessem profundidade
E levando tudo mais além de folha
que tivesse como escolha
se jogar nele e se perder em bolha
No fim o rio era uma grande tulha
Guardando tudo que não tivesse um lar
afogando tudo que não soubesse amar
livrando tudo que parou de sonhar
e aos poucos suas águas iam parando, parando, até congelar
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Com amor, George
George, um rapaz charmoso que sempre sentava na mesa da frente a de Elisa, no Coffee Day onde eles começavam o dia, vivia a lançar seu olhar tímido e penetrante sobre a desconcertada moça.
Nas noites de Elisa, George se tornava pensamento cada vez mais frequente e ela achava errado por ser casada há mais de uma década - apesar deste relacionamento não estar em boa fase.
Os dias se passavam e George invadia seu dia a dia, e por vezes ela o comparava a seu ausente marido Léo. Comparava os cabelos, os olhos, o modo como segurava o jornal e bebia o cappuccino acomodado de pernas cruzadas, ou como desviava o olhar quando era encarado.
Na última quinta-feira no Coffee Day, Elisa recebeu do garçom um bilhetinho em um guardanapo. Frases românticas que descreviam Elisa com detalhismo e paixão e timidamente pediam uma conversa. Ela sabia que eram de George, não por serem finalizados por "com amor, George", mas sim, quem mais poderia descrevê-la daquela forma se não alguém que a observasse atentamente todos os dias? Somente George.
Após alguns dias de conversas por guardanapos o garçom trouxe o último bilhete. Este a convidava para uma viagem! Com todas aquelas conversas inteligentes e românticas, no calor do momento, ela aceitou. Tendo em vista ainda o total desastre que se encaminhava seu desgastado relacionamento com Leonardo.
No dia seguinte, bem cedo, após um dia inteiro - e noite, pensando em tudo que estava acontecendo, ela fez as malas secretamente enquanto seu marido dormia, e partiu ao local marcado. Esperançosa para ouvir, enfim, a voz do charmoso George lá estava ela, como uma adolescente que fugia de casa. E ao chegar ao local descrito no papel, para sua enorme surpresa quem a aguardava era George, o faxineiro do Coffee Day, barrigudo e nada charmoso de olhar cansado que tinha uma paixão secreta por Elisa além de boas palavras.
Nas noites de Elisa, George se tornava pensamento cada vez mais frequente e ela achava errado por ser casada há mais de uma década - apesar deste relacionamento não estar em boa fase.
Os dias se passavam e George invadia seu dia a dia, e por vezes ela o comparava a seu ausente marido Léo. Comparava os cabelos, os olhos, o modo como segurava o jornal e bebia o cappuccino acomodado de pernas cruzadas, ou como desviava o olhar quando era encarado.
Na última quinta-feira no Coffee Day, Elisa recebeu do garçom um bilhetinho em um guardanapo. Frases românticas que descreviam Elisa com detalhismo e paixão e timidamente pediam uma conversa. Ela sabia que eram de George, não por serem finalizados por "com amor, George", mas sim, quem mais poderia descrevê-la daquela forma se não alguém que a observasse atentamente todos os dias? Somente George.
Após alguns dias de conversas por guardanapos o garçom trouxe o último bilhete. Este a convidava para uma viagem! Com todas aquelas conversas inteligentes e românticas, no calor do momento, ela aceitou. Tendo em vista ainda o total desastre que se encaminhava seu desgastado relacionamento com Leonardo.
No dia seguinte, bem cedo, após um dia inteiro - e noite, pensando em tudo que estava acontecendo, ela fez as malas secretamente enquanto seu marido dormia, e partiu ao local marcado. Esperançosa para ouvir, enfim, a voz do charmoso George lá estava ela, como uma adolescente que fugia de casa. E ao chegar ao local descrito no papel, para sua enorme surpresa quem a aguardava era George, o faxineiro do Coffee Day, barrigudo e nada charmoso de olhar cansado que tinha uma paixão secreta por Elisa além de boas palavras.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Uma flor para Rosa
Em meio a Julianas, Rafaelas, Carolines e Carolinas, Stefanis e Letícias, Marianas e Anas, eu encontrei Rosa. De fato, ela me encontrou. Era meio do ano, cheguei como de costume cedo a escola e ela, Rosa, conseguiu chegar mais cedo ainda. Jamais a vira por ali, e sua indagação me confirmara. "Oi. Onde fica a sala 1901?", disse ela, tocando-me os ombros por trás. Eu, desconcertado, como nunca antes, titubeei. Ela tão naturalmente linda. Tão espontânea. Tão sem medo. "Ali.", disse eu, apontando para a sala 1901, encoberta da pilastra. Ela agradeceu tão rapidamente quanto eu havia me apaixonado e seguiu até lá. Rosa visivelmente saíra de sua escola e matriculou-se no meu coração.
Eu sou um garoto normal, um garoto qualquer, aluno da 1901. Segui até meu lugar, no fundo, tentando procurar aquele rosto. Em vão. Mal sabia eu que Rosa estava em meio àquele grupinho. Rosa era conhecida, popular, assim que chegou. Uma garota como ela certamente atraia atenção, mas isso não lhe retirava a simplicidade e simpatia. Naquele momento - e durante um bom tempo, eu não sabia que estava perdidamente caidinho por ela. A professora fez o favor de me apresentá-la, pois, não haveria modo de eu saber por conta de minha timidez, frente a ela. "Esta é nossa nova aluna, Rosa", disse, sem pompas. Rosa?
A cada dia que se seguia eu conhecia mais e mais Rosa, à distância. Era mudo para ela. E ela o mundo para mim. Ela tinha os cabelos naturalmente lindos e negros, os quais enrolava as pontas algumas vezes nas aulas mais estendidas. Sua boca pequena e vermelha, suas sobrancelhas bem definidas na pele branca. Seu nariz discreto e fino. Seus olhos cansados e, paradoxalmente, vívidos. Suas mãos pequenas e, de longe, macias. Seus gestos calmos e fala bem pensada. Eram todos esses detalhes perfeitos.
Depois de meses naquela escola, Rosa era mais conhecida que eu em anos. Talvez ela não conhecesse tanta gente que a conhecia, como eu. Talvez. Na aula de educação física, lá estava eu, disposto, sem ironia. E ela disse, de longe, "Ei, Felipe!", eu apenas virei em sua direção e esperei que ela se aproximasse. "Tudo bem?", ela perguntou. Eu quase não respondi tão encantado com as sutis sardas que corriam da esquerda para a direita abaixo de seus olhos e eu nunca percebera. Respondi, então, mexendo a cabeça para cima e para baixo."As meninas falaram que eu devia falar com você sobre o trabalho de filosofia", ela disse e eu perguntei, "Como assim?". Ela prosseguiu, "Elas me disseram que você saberia me explicar melhor o que é para fazer, pode?". Acho que até poderia ser visto o sorriso em meus olhos ao ouvir aquelas falas direcionadas a mim. Ela poderia ter me xingado que eu estaria feliz por ter me dado alguma atenção. "Claro. Olha, Aristóteles dizia que ..", ela me cortou, "Não", e deu o sorriso mais lindo, concluindo, "Não agora. A gente tem o final de semana para estudar" e eu apenas, mais uma vez, concordei mentalmente com o que ela dizia, e ela falou, "Será que você pode ir lá em casa amanhã?", eu pirei, muito, e aceitei.
No sábado, lá estava eu, feliz da vida. No quarto dela, esperando uns lanchinhos feitos pela mãe dela. Expliquei a ela o trabalho de filosofia, e, com o tempo sobrando, estudamos matemática. A mãe dela avisou que meu pai estava a minha espera para me levar para casa. Rapidamente Rosa se despediu de mim, sem antes dizer que foi muito bom estudar comigo naquela tarde. Eu não pude acreditar. Até dois dias antes eu era apenas um carinha que ela pediu uma informação há meses, e que ela nem lembrava mais e naquele momento... Bem.,. Eu não sei.
Na segunda-feira eu sentia que precisava falar com ela e, encorajado pelas palavras do meu pai, disse a Rosa, "Oi". Ela educadamente respondeu, me desejando bom dia, também. Foi o bastante para mim. Conforme o passar dos dias e semanas, o fim do ano se aproximando, eu me via cada vez mais envolvido a ela e, achei, ela a mim. Meu pai me incentivava cada vez mais, e dava resultados. Logo eu e Rosa éramos melhores amigos. Me sentia bem. E queria mais. O amor que eu nutria por Rosa era grande demais para ter ela como uma amiga. Meu pai, novamente, me ajudou. Disse-me sobre como conquistou minha mãe; com uma flor. Ele me ajudou a escolher a mais bela flor no cominho da escola, e eu a levei, junto de minha apreensão e medo, e paixão. Assim que cheguei fui decidido até Rosa, rodeada de amigos, que também eram meus amigos, mas não tão amigos assim -quem sabe nem tão amigos dela também. Eu comecei a falar algumas coisas, que nem me lembro devido ao nervosismo da ocasiãoou quem sabe pela vontade do meu cérebro de esquecer tal momento. Eram coisas românticas, coisas do meu eu mais profundo, coisas mais sinceras que alguém possa declarar a quem se ama. Eram coisas estúpidas. Eu finalizei entregando a flor para Rosa, junto a meu pedido de namoro. As pessoas à volta não pareciam acreditar. Nos segundos de hesitação notei que algumas seguravam o riso, outras pareciam assustadas e umas não fizeram questão de disfarçar nada. "Eu não vou aceitar isso, que brega, Felipe" Rosa atirou em meu peito. Irritada, jogou a flor no chão. "O que você estava pensando? Somos amigos! A-mi-gos!" fuzilou-me. "E o que você falou? Não entendi metade, putz", era um Hiroshima e Nagasaki. Todos ao redor podiam rir, agora. A cena a seguir pode ser imaginada por você aí, para mim já dói escrever até aqui.
Rosa, minha linda ordinária, continua com seus amigos e uma parte do meu amor. Mas eu... Ah, eu... Não sou mais o Felipe de frases românticas. A garota simples e romantizada mostrou-me que o amor de nada vale hoje em dia. Uma rosa é uma rosa. Todo o amor que poderia eu sentir, errou o alvo, caiu com a rosa, apodreceu com a rosa e não pode ser recuperado.
Eu sou um garoto normal, um garoto qualquer, aluno da 1901. Segui até meu lugar, no fundo, tentando procurar aquele rosto. Em vão. Mal sabia eu que Rosa estava em meio àquele grupinho. Rosa era conhecida, popular, assim que chegou. Uma garota como ela certamente atraia atenção, mas isso não lhe retirava a simplicidade e simpatia. Naquele momento - e durante um bom tempo, eu não sabia que estava perdidamente caidinho por ela. A professora fez o favor de me apresentá-la, pois, não haveria modo de eu saber por conta de minha timidez, frente a ela. "Esta é nossa nova aluna, Rosa", disse, sem pompas. Rosa?
A cada dia que se seguia eu conhecia mais e mais Rosa, à distância. Era mudo para ela. E ela o mundo para mim. Ela tinha os cabelos naturalmente lindos e negros, os quais enrolava as pontas algumas vezes nas aulas mais estendidas. Sua boca pequena e vermelha, suas sobrancelhas bem definidas na pele branca. Seu nariz discreto e fino. Seus olhos cansados e, paradoxalmente, vívidos. Suas mãos pequenas e, de longe, macias. Seus gestos calmos e fala bem pensada. Eram todos esses detalhes perfeitos.
Depois de meses naquela escola, Rosa era mais conhecida que eu em anos. Talvez ela não conhecesse tanta gente que a conhecia, como eu. Talvez. Na aula de educação física, lá estava eu, disposto, sem ironia. E ela disse, de longe, "Ei, Felipe!", eu apenas virei em sua direção e esperei que ela se aproximasse. "Tudo bem?", ela perguntou. Eu quase não respondi tão encantado com as sutis sardas que corriam da esquerda para a direita abaixo de seus olhos e eu nunca percebera. Respondi, então, mexendo a cabeça para cima e para baixo."As meninas falaram que eu devia falar com você sobre o trabalho de filosofia", ela disse e eu perguntei, "Como assim?". Ela prosseguiu, "Elas me disseram que você saberia me explicar melhor o que é para fazer, pode?". Acho que até poderia ser visto o sorriso em meus olhos ao ouvir aquelas falas direcionadas a mim. Ela poderia ter me xingado que eu estaria feliz por ter me dado alguma atenção. "Claro. Olha, Aristóteles dizia que ..", ela me cortou, "Não", e deu o sorriso mais lindo, concluindo, "Não agora. A gente tem o final de semana para estudar" e eu apenas, mais uma vez, concordei mentalmente com o que ela dizia, e ela falou, "Será que você pode ir lá em casa amanhã?", eu pirei, muito, e aceitei.
No sábado, lá estava eu, feliz da vida. No quarto dela, esperando uns lanchinhos feitos pela mãe dela. Expliquei a ela o trabalho de filosofia, e, com o tempo sobrando, estudamos matemática. A mãe dela avisou que meu pai estava a minha espera para me levar para casa. Rapidamente Rosa se despediu de mim, sem antes dizer que foi muito bom estudar comigo naquela tarde. Eu não pude acreditar. Até dois dias antes eu era apenas um carinha que ela pediu uma informação há meses, e que ela nem lembrava mais e naquele momento... Bem.,. Eu não sei.
Na segunda-feira eu sentia que precisava falar com ela e, encorajado pelas palavras do meu pai, disse a Rosa, "Oi". Ela educadamente respondeu, me desejando bom dia, também. Foi o bastante para mim. Conforme o passar dos dias e semanas, o fim do ano se aproximando, eu me via cada vez mais envolvido a ela e, achei, ela a mim. Meu pai me incentivava cada vez mais, e dava resultados. Logo eu e Rosa éramos melhores amigos. Me sentia bem. E queria mais. O amor que eu nutria por Rosa era grande demais para ter ela como uma amiga. Meu pai, novamente, me ajudou. Disse-me sobre como conquistou minha mãe; com uma flor. Ele me ajudou a escolher a mais bela flor no cominho da escola, e eu a levei, junto de minha apreensão e medo, e paixão. Assim que cheguei fui decidido até Rosa, rodeada de amigos, que também eram meus amigos, mas não tão amigos assim -quem sabe nem tão amigos dela também. Eu comecei a falar algumas coisas, que nem me lembro devido ao nervosismo da ocasião
Rosa, minha linda ordinária, continua com seus amigos e uma parte do meu amor. Mas eu... Ah, eu... Não sou mais o Felipe de frases românticas. A garota simples e romantizada mostrou-me que o amor de nada vale hoje em dia. Uma rosa é uma rosa. Todo o amor que poderia eu sentir, errou o alvo, caiu com a rosa, apodreceu com a rosa e não pode ser recuperado.
terça-feira, 29 de julho de 2014
O dono da dor
No início da noite de hoje, eu a vi. Estava perto e intocável. Não pelo vidro translúcido da janela do ônibus, mas pela covardia minha. Afinal, mesmo que eu pudesse sentir sua respiração, me faltaria voz, ato.
No início da noite de hoje, no ônibus silenciado pelos fones, conheci o Acaso, o dono da dor. O Acaso é cruel. Inescrupuloso. Perverso. E outros adjetivos similares. Ele, o Acaso, tornou alguns segundos despretensiosos em momentos de martírio. Permitiu que eu a nota-se durante aquele crepúsculo. Permitiu que meu encantamento inicial e fixação contrastasse com a distração e espontaneidade dela, ali, na calçada, aparentemente esperando alguém - que não eu, em meio às pessoas que passavam. Me permitiu que apreciasse seu olhar, seus movimentos. Em um deles sacou o celular e, como de costume, tirou fotos. "O amor é livre", era a inscrição no muro surrado, a qual ela se pôs, rapidamente, a fotografar. Quanto a isso, devo discordar. O amor não é livre. Ele se prende nas algemas da rejeição.
No início da noite de hoje o dono da dor me desprovou. A certeza de que a dor, da qual falavam Bukowski, Pessoa, de Azevedo, Neruda e outros, era puro cunho sentimentista e romântico, caíra por terra. A dor existe. Física. E pode parecer bobagem, mas, realmente, no coração. Claro que existem milhares de tipos de dores. Mas as do coração não se medem. Não se comparam. Se sofrem, no meio da noite de hoje.
sábado, 19 de julho de 2014
Coisas que se passam na minha mente quando ninguém parece existir, além de mim
Nos braços da Inquietude me encontrava em uma dessas madrugadas. Achando, eu, estar sozinho em meio às coisas que pensava esbarrei na Curiosidade, espaçosa que só. Se mostrando interessada, me segurou, queixando-se da Solidão:
- Espere .. - disse, e eu a atendi. Sentamos no banquinho da praça e ali eu já não podia notar as horas.
Ela, a Curiosidade, me indagava sobre muitas coisas. E sobre essas coisas eu tentava lhe dar respostas satisfatórias. Entretanto, ela não se contia, e eu bem que gostei. Era um exercício de imaginação responder à ingênua Curiosidade. Ela me questionou tantas coisas, mas, uma delas é o motivo de meu escrito:
- O que é o Impossível ? - ela perguntou. Não queria lhe entregar uma resposta simples ou qualquer coisa ilusória. Pois, eu mesmo queria saber o que era esse tal Impossível.
Certamente, eu não saberia, uma vez que nunca fiz mais do que estava ao meu alcance. Mas a Curiosidade, tão criança, me fazia querer descobrir. Foi quando pensei em alguém que poderia saciar-nos essa dúvida.
Indaguei o Sr.Tempo sobre o que seria o Impossível. O Tempo, soberbo, me ignorou. Por um momento tive medo e só depois de anos alguém me trouxe a resposta. Eu, alguém que não conhecia muito bem, mas que trazia um ar familiar. Ele parecia falar com autoridade sobre muitos assuntos. E por mais que ocupado, o Eu me disse, em tom pesado:
- O Impossível só existe para aqueles que esperam que o Tempo lhe traga alguma coisa.
Foi o que eu disse para Curiosidade, que, enfim, me deixou descansar.
sexta-feira, 23 de maio de 2014
"Bom dia" : para não ser tão associável
Desde pequeno, por minha vó, mãe ou tio, fui instruído a ser educado e solícito com todos. E assim foi, por muito tempo. Fugir dessa conduta naquela época me acarretava algumas broncas. É de se admirar uma criança bem educada e fácil retribuir esse comportamento. Hoje vejo que, na verdade, gera uma sensação de estranheza.
O tempo passa porque tem que passar, mas corre ou rasteja por nossas mentes, mesmo. O tempo deu uma rastejada e eu já não era uma criancinha ingênua. Dizer "Bom dia", ou qualquer outra saudação adequada ao horário, fazia parte ainda da minha essência, como fui literalmente, adestrado. Mas agora, já não havia exclamação ao fim da frase. Não trazia-me mais o mesmo sentimento ou seja lá o que se passava na minha mente. Neste momento já me questionava se estava deixando de ser quem eu sempre fui ou se era apenas um processo natural condicionado a todos.
O tempo deu um pique. O "Bom dia" agora já não precisava de resposta, nem mesmo se era bom dia mesmo, ou tarde. Tanto faz. Os problemas não só surgiram, cresceram. Esse tipo de coisa tira do sua vida do âmbito plural para o singular. Por essas e outras que o "dá licença" deu passagem a uma espremida para passar, ou mesmo um esbarrão.
Não sejamos uns trogloditas! Veja, o comportamento em questão é geral, mas não unânime. O tempo levou minha gentileza - ou parte, e não minha humanidade. Não podemos estar na mente de ninguém e, exatamente por isso, ninguém pode estar na nossa. E nessa época minha mente era um local em que nem mesmo eu gostaria de estar.
O tempo já aprendeu a correr, e correu. Já passamos do meio dia? Que seja, acontece que agora o "Bom dia", que já não pedia resposta, não queria mais saber de rostos! Sim, claro. Por um caminho tortuoso foram se perdendo muitas coisas, ganhando-se outras, iludindo-se desses mesmos ganhos e perdas e por fim encontrando um caminho realmente, e não trilhas ou atalhos de terra em meio a grama, que por vezes se espaçam e me fizeram perder o fio da meada. E que fique claro que todas essas faltas de gentileza de minha parte só podem ser chamadas de faltas porque eu as perdi naqueles caminhos que disse acima. Não são faltas de gentileza por parte da sociedade, ora pois, isso é ser um adulto da sociedade - pensava. Muito em breve desaprendi a dizer "Bom dia", o mesmo que perdeu a exclamação, seguido da perda da resposta e depois dos rostos.
As pessoas estão muito preocupadas com seus problemas para se importar com os outros. Afinal, os outros que se preocupem com os seus. É isso. Não há muito o que discutir. A gentileza é um detalhe e é isso que somos todos os dias, seres que não se importam além do seu e se parecem se importar, certamente é por interesses pessoais, ou mera formalidade.
Há quase cinco meses me mudei para o novo apartamento, menor, mas de melhor localização na cidade.
Descobri ontem que tenho uma vizinha com necessidades especiais, os demais nunca vi de verdade. Não sei o nome do porteiro e muito menos do carinha dos serviços gerais. Não por má vontade ou indiferença, mas por tempo. Sim, ele mesmo. Para todos nós chega um momento em que não temos tempo para mais nada além daquilo que nos interessa. Quando achamos que não temos tempo para mais nada, descobrimos que podemos ter ainda menos tempo. Nesse instante já deixei de formalidades como "Bom dia", nem mesmo me importo se acham isso falta de respeito, afinal, não seria mais despeito perguntar sem ter o menor interesse? Talvez.
Eu passei muito tempo sendo um cara que não dizia mais que o necessário, e passava a maior parte do tempo adiantando os interesses próprios e coisas do tipo. Em um momento percebi que me distanciei da família e amigos, um pouco ao menos, e que fechei a porta para novas pessoas na minha vida. Eu passei a ser algo muito diferente do que eu acreditava ser o que sou de verdade, e isso, como num estalo, me trouxe a impressão de que estava errado continuar com isso. É preciso avaliar as perdas e os ganhos não mediante ao que você acha ser um ganho ou uma perda, mas sim a partir daquilo que propomos a nossas mentes como o que é certo ou errado. Se você acha que é certo ganhar em cima da perda alheia, você está errado. E se acha correto perder como um sacrifício para um bem maior, muitas vezes está certo.
Depois de alguns treinos o "Bom dia" voltou ao meu vocabulário. Não espere que meu cotidiano mude tão facilmente também. Maus hábitos se instalam como de forma confortável e inesperada, mas para acabar com eles .. tsc! O que importa é que minha mente já atentou que, é ela quem faz o tempo correr ou caminhar. E que não existem mundos particulares e sim um, cheio de gente que crê em mundos particulares.
Vou praticar meu "Bom dia" apenas para não ser tão associável, por enquanto. Breve serei aquilo que meus parentes me ensinaram quando pequeno, e que é ainda minha essência. Vou deixar esses adultos admirados como há algum tempo atrás e tentar fazer essa sociedade ser um pouco mais intimista.
O tempo passa porque tem que passar, mas corre ou rasteja por nossas mentes, mesmo. O tempo deu uma rastejada e eu já não era uma criancinha ingênua. Dizer "Bom dia", ou qualquer outra saudação adequada ao horário, fazia parte ainda da minha essência, como fui literalmente, adestrado. Mas agora, já não havia exclamação ao fim da frase. Não trazia-me mais o mesmo sentimento ou seja lá o que se passava na minha mente. Neste momento já me questionava se estava deixando de ser quem eu sempre fui ou se era apenas um processo natural condicionado a todos.
O tempo deu um pique. O "Bom dia" agora já não precisava de resposta, nem mesmo se era bom dia mesmo, ou tarde. Tanto faz. Os problemas não só surgiram, cresceram. Esse tipo de coisa tira do sua vida do âmbito plural para o singular. Por essas e outras que o "dá licença" deu passagem a uma espremida para passar, ou mesmo um esbarrão.
Não sejamos uns trogloditas! Veja, o comportamento em questão é geral, mas não unânime. O tempo levou minha gentileza - ou parte, e não minha humanidade. Não podemos estar na mente de ninguém e, exatamente por isso, ninguém pode estar na nossa. E nessa época minha mente era um local em que nem mesmo eu gostaria de estar.
O tempo já aprendeu a correr, e correu. Já passamos do meio dia? Que seja, acontece que agora o "Bom dia", que já não pedia resposta, não queria mais saber de rostos! Sim, claro. Por um caminho tortuoso foram se perdendo muitas coisas, ganhando-se outras, iludindo-se desses mesmos ganhos e perdas e por fim encontrando um caminho realmente, e não trilhas ou atalhos de terra em meio a grama, que por vezes se espaçam e me fizeram perder o fio da meada. E que fique claro que todas essas faltas de gentileza de minha parte só podem ser chamadas de faltas porque eu as perdi naqueles caminhos que disse acima. Não são faltas de gentileza por parte da sociedade, ora pois, isso é ser um adulto da sociedade - pensava. Muito em breve desaprendi a dizer "Bom dia", o mesmo que perdeu a exclamação, seguido da perda da resposta e depois dos rostos.
As pessoas estão muito preocupadas com seus problemas para se importar com os outros. Afinal, os outros que se preocupem com os seus. É isso. Não há muito o que discutir. A gentileza é um detalhe e é isso que somos todos os dias, seres que não se importam além do seu e se parecem se importar, certamente é por interesses pessoais, ou mera formalidade.
Há quase cinco meses me mudei para o novo apartamento, menor, mas de melhor localização na cidade.
Descobri ontem que tenho uma vizinha com necessidades especiais, os demais nunca vi de verdade. Não sei o nome do porteiro e muito menos do carinha dos serviços gerais. Não por má vontade ou indiferença, mas por tempo. Sim, ele mesmo. Para todos nós chega um momento em que não temos tempo para mais nada além daquilo que nos interessa. Quando achamos que não temos tempo para mais nada, descobrimos que podemos ter ainda menos tempo. Nesse instante já deixei de formalidades como "Bom dia", nem mesmo me importo se acham isso falta de respeito, afinal, não seria mais despeito perguntar sem ter o menor interesse? Talvez.
Eu passei muito tempo sendo um cara que não dizia mais que o necessário, e passava a maior parte do tempo adiantando os interesses próprios e coisas do tipo. Em um momento percebi que me distanciei da família e amigos, um pouco ao menos, e que fechei a porta para novas pessoas na minha vida. Eu passei a ser algo muito diferente do que eu acreditava ser o que sou de verdade, e isso, como num estalo, me trouxe a impressão de que estava errado continuar com isso. É preciso avaliar as perdas e os ganhos não mediante ao que você acha ser um ganho ou uma perda, mas sim a partir daquilo que propomos a nossas mentes como o que é certo ou errado. Se você acha que é certo ganhar em cima da perda alheia, você está errado. E se acha correto perder como um sacrifício para um bem maior, muitas vezes está certo.
Depois de alguns treinos o "Bom dia" voltou ao meu vocabulário. Não espere que meu cotidiano mude tão facilmente também. Maus hábitos se instalam como de forma confortável e inesperada, mas para acabar com eles .. tsc! O que importa é que minha mente já atentou que, é ela quem faz o tempo correr ou caminhar. E que não existem mundos particulares e sim um, cheio de gente que crê em mundos particulares.
Vou praticar meu "Bom dia" apenas para não ser tão associável, por enquanto. Breve serei aquilo que meus parentes me ensinaram quando pequeno, e que é ainda minha essência. Vou deixar esses adultos admirados como há algum tempo atrás e tentar fazer essa sociedade ser um pouco mais intimista.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Minha Loucura
Semana passada, no curso de inglês, fiz uma descoberta - uma grande descoberta, diga-se. Tal descoberta poderia ser nada no dia seguinte ou mudaria minha vida.
Minha percepção de mundo já não era a mesma. Todos meus conceitos e ideologias, meus planos e afins haviam sido alterados, se não, ao menos remasterizados.
Eu descobri que sou louco, ou me tornei.
Demorei para me aceitar nessa nova condição - na verdade ainda não. Com minha rotina se tornando cada vez mais incompreensível eu me perguntava "como viver sendo um louco?". Eu não sabia.
Meu eu de antes até o considerava louco, por sempre buscar uma vida intensa e de verdade. "A gente só vive realmente quando está perto da morte", eu costumava dizer. Mas não era bem assim, até certo ponto. Quanto a esta loucura, não me recordo exatamente o momento dessa metamorfose - será que as borboletas se lembram dessa parte de sua vida? Vai saber .. o que se passa é que não me lembro. Simplesmente num dia qualquer, ou melhor, na última quinta - é bom guardar este dia - me dei conta de que era louco - ou somente estava? Só o tempo diria, apesar de não parecer uma simples condição. Eu fui tomado pela loucura por completo, senti minha pele sobre minha pele e meus ossos .. eu, apenas senti-os - já é bastante estranho senti-los, não?
Bem, com meus fusos trocados, ou substituídos talvez, eu esperei. Só para ver se eu estava em coma ou algo assim, alguma teoria bizarra qualquer, mas não. Era eu, sem ser eu. Não o mesmo eu, um novo eu, com os ares do eu de sempre, uma boa fatia de algo novo e um toque de páprica.
De qualquer forma, eu estava enlouquecendo com aquela loucura - somente alguém muito equilibrado para saber lidar com a loucura, viu?
Sem sucesso na minha adaptação, busquei ajuda profissional. A psicanalista Julia Fernnandes parecia capacitada. Na verdade a escolhi por ter dois N's seguidos no nome, alguém com esse nome deve ser foda. Conversa vai, conversa vêm .. meu senso já foi e o dela também e, fui diagnosticado com uma desordem rara e incurável chamada erosaeternus, algo assim, popularmente conhecido como "louco por ella", de verdade. E ela disse mais, me explicou que não percebi o momento exato de minha alteração pois fui infectado aos poucos, em pequenas doses de charme e outros detalhes. A doutora me receitou um tal de "Corra Atrás Dela" e um "Ou Morra Tentando". Fui ver se tinha na farmácia.
Minha percepção de mundo já não era a mesma. Todos meus conceitos e ideologias, meus planos e afins haviam sido alterados, se não, ao menos remasterizados.
Eu descobri que sou louco, ou me tornei.
Demorei para me aceitar nessa nova condição - na verdade ainda não. Com minha rotina se tornando cada vez mais incompreensível eu me perguntava "como viver sendo um louco?". Eu não sabia.
Meu eu de antes até o considerava louco, por sempre buscar uma vida intensa e de verdade. "A gente só vive realmente quando está perto da morte", eu costumava dizer. Mas não era bem assim, até certo ponto. Quanto a esta loucura, não me recordo exatamente o momento dessa metamorfose - será que as borboletas se lembram dessa parte de sua vida? Vai saber .. o que se passa é que não me lembro. Simplesmente num dia qualquer, ou melhor, na última quinta - é bom guardar este dia - me dei conta de que era louco - ou somente estava? Só o tempo diria, apesar de não parecer uma simples condição. Eu fui tomado pela loucura por completo, senti minha pele sobre minha pele e meus ossos .. eu, apenas senti-os - já é bastante estranho senti-los, não?
Bem, com meus fusos trocados, ou substituídos talvez, eu esperei. Só para ver se eu estava em coma ou algo assim, alguma teoria bizarra qualquer, mas não. Era eu, sem ser eu. Não o mesmo eu, um novo eu, com os ares do eu de sempre, uma boa fatia de algo novo e um toque de páprica.
De qualquer forma, eu estava enlouquecendo com aquela loucura - somente alguém muito equilibrado para saber lidar com a loucura, viu?
Sem sucesso na minha adaptação, busquei ajuda profissional. A psicanalista Julia Fernnandes parecia capacitada. N
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
O Porco
Era uma vez um porco chamado Godofredo. Godô era antissocial e sedentário, passando o dias e dias em frente ao PC jogando Minecraft e comendo bacon, sua comida preferida. Os dias se passaram e Godofredo via seu vício em bacon aumentar. Godofredo então matou toda sua família, o senhor e a senhora Costelinha Defumada e o pequeno Toucinho Neto, iniciando uma série de assassinatos na Vila Chiqueiro. Mas, depressa foi detido pelo detetive Dom Bigodón, o gato.
Godofredo foi sentenciado a prisão perpétua, mas logo após seu julgamento, Godô não resistiu e se suicidou, saciando e pondo um fim a sua vontade por bacon e a uma das maiores histórias de serial killers que se tem notícias.
Godofredo foi sentenciado a prisão perpétua, mas logo após seu julgamento, Godô não resistiu e se suicidou, saciando e pondo um fim a sua vontade por bacon e a uma das maiores histórias de serial killers que se tem notícias.
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