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sexta-feira, 28 de abril de 2017
A infeliz naturalidade do abuso
Quem nunca ouviu falar ou presenciou um caso de abuso sexual? A maioria das pessoas pode se lembrar de um caso ocorrido ainda nesta semana. E o pior disso tudo é que a constância dessas notícias não nos faz reagir contra, e sim, traz acomodação. Isto é inaceitável.
O abuso sexual não deve ser entendido somente como a consumação do ato. De forma alguma. O menos agressivo abuso, seja um convite indesejado e insistente, seja travestir em elogio a objetificação da mulher em um produto é tão criminoso quanto a deflagração de um estupro. Este trato brando sobre assuntos que ferem a mulher decorre da construção social que ainda é vigente, especialmente em localidades mais pobres; a estrutura machista que torna menor os grandes problemas próprios desde modo social. É um problema comportamental.
Não naturalizem o abuso. É covardia com quem o sofre, que acaba calada pelo medo e por essa naturalidade inventada. Isso mesmo, a mulher que sofre acaba aceitando o abuso como algo comum e sem importância. Esta ideia é reforçada por quem a cerca, inclusive mulheres. Cria-se, então, a cadeia fechada do abuso sexual, pautada no machismo e no silenciamento.
É preciso romper esta cadeia atacando os elos mais fracos – os olhares invasivos, os “elogios” objetificadores e os toques sem permissão, todos, infelizmente, tão naturalizados.
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