Minha percepção de mundo já não era a mesma. Todos meus conceitos e ideologias, meus planos e afins haviam sido alterados, se não, ao menos remasterizados.
Eu descobri que sou louco, ou me tornei.
Demorei para me aceitar nessa nova condição - na verdade ainda não. Com minha rotina se tornando cada vez mais incompreensível eu me perguntava "como viver sendo um louco?". Eu não sabia.
Meu eu de antes até o considerava louco, por sempre buscar uma vida intensa e de verdade. "A gente só vive realmente quando está perto da morte", eu costumava dizer. Mas não era bem assim, até certo ponto. Quanto a esta loucura, não me recordo exatamente o momento dessa metamorfose - será que as borboletas se lembram dessa parte de sua vida? Vai saber .. o que se passa é que não me lembro. Simplesmente num dia qualquer, ou melhor, na última quinta - é bom guardar este dia - me dei conta de que era louco - ou somente estava? Só o tempo diria, apesar de não parecer uma simples condição. Eu fui tomado pela loucura por completo, senti minha pele sobre minha pele e meus ossos .. eu, apenas senti-os - já é bastante estranho senti-los, não?
Bem, com meus fusos trocados, ou substituídos talvez, eu esperei. Só para ver se eu estava em coma ou algo assim, alguma teoria bizarra qualquer, mas não. Era eu, sem ser eu. Não o mesmo eu, um novo eu, com os ares do eu de sempre, uma boa fatia de algo novo e um toque de páprica.
De qualquer forma, eu estava enlouquecendo com aquela loucura - somente alguém muito equilibrado para saber lidar com a loucura, viu?
Sem sucesso na minha adaptação, busquei ajuda profissional. A psicanalista Julia Fernnandes parecia capacitada. N