sábado, 31 de janeiro de 2015

O dia em que minha mãe quase descobriu meu relacionamento com a maconha

Escrito por Róbso que se escreve Wando.

Lembro-me como se fosse ontem, era 30 de janeiro de 2015, tinha uma puta festa para ir e sabia que ia rolar altas putarias all night long. Após pedir o financiamento do meu pai, era a vez a contribuição da mulher que me deu a luz - agradeçam a ela.
Como de costume, ela me fez o interrogatório. Onde? Quem? Quando? Até que horas? O quê? Pra quê? Quanto? - São apenas alguns exemplos. Com larga experiência em embromação racionalista com especialização em lorotagem, consegui a quantia necessária para bancar a zona que aconteceria naquele dia e ainda me sobraram uns trocados, claro.
Estava na hora, a libertinagem começaria dentro de 1 hora.
Passei na casa do meu amigo, Edu, e de lá seguimos ao misterioso lugar.
Era tudo que eu esperava, à primeira vista. À segunda também, e na terceira, já estava muito escuro.
Bem, para encurtar essa bagaça, pularei o conteúdo da festa (talvez sirva para outro post, até lá, usem a imaginação).
Eis a etapa final daquela noite.
Quase 3 da matina, chego a porta de casa, após ter apresentado certas dificuldades para apertar o botão 6 do elevador, o que me fez dar um passeio pelos andares do meu prédio e conhecer lugares mais ocultos que a entrada para Hogwarts.
Quando consegui apertar a campainha e, obviamente, terminar a não mais Sinfonia Inacabada de Beethoven, minha mãe abriu a porta e disse algo assim :
- Entra logo, o que você tem na cabeça?
- Ah maaain, isso é pergunta que se faça essa hora da manhã?
- Senta ai, eu não vou nem perguntar porque você chegou essa hora, se o combinado era meia noite no máximo!
- Que bom, vou durmir ..
- Espera ai, porque seus olhos estão assim .. vermelhos ??
- (Ihh..) Bem mãe, senta aqui também e presta atenção:
Sabe o Eduardo .. ?
- O de rastafári?
- Que safári mãe!?.. o filho da Carla .. então, a gente tava curtindo a festa, super família lá mãe, cê precisava ver .. ai o pessoal tava jogando baralho, sinuca .. comendo uns sanduíches sabe? .. A gente tava se divertindo, contando piadas, muita emoção rolando, principalmente quando trouxeram o leite com Toddy para cantarmos Legião e Los Hermanos .. bem da hora assim .. foi um momento único, e eu estava com meus melhores amigos ..
- Tá, mas o que tem o Eduardo ?
- .. Ele é meu melhor amigo, poha .. mas, então, chegou o fim da festa, e o Eduardo tava com o carro do pai dele, e deu carona pro pessoal. A gente começou a cantar Eduardo e Mônica, sabe mãe? Aquela .. queeem irá dizer a razão do coração .. e na parte que a Mônica falava coisas sobre o Planalto Central, o carro acertou uma vaca que passou na nossa frente bem ali perto do Largo do Machado, se precisava ver mãe .. tadinha da vaca.
Bem, no acidente a maioria saiu só com uns arranhões mas, mas o Eduardo não .. e gente chamou a ambulância e ele foi internado.
O meu melhor amigo mãe .. ( e ela me olhava sem saber se me batia ou se ria, ou os dois)
Enfim, o médico veio e nos disse que era melhor irmos para casa e que o estado de Edu era grave, muito grave, mas estável.
Eu não consegui deixá-lo sozinho, fiquei lá, chorando, chorando, chorando e chorando, até não me restarem lágrimas.
Era 3 e pouca quando o médico falou para eu ir para casa que meus olhos estavam mais vermelhos que o cabelo do Iori Yagami, do KoF.
- Hm .. inventou isso agora?
- Poh mãe, algo tão sério acontece e vc ai zombando .. vou durmir até, boa noite.
- Humff .. - e eu já deitando, ela grita : E esse cheiro? Que cheiro é esse ? Esse cheiro é de maconha! Não é?
- É mãe, mas .. tinha um pessoal fumando lá ..
- No hospital?
- É. (huehueh) Medicina alternativa mãe, tchau.

E foi assim que ela quase descobriu meu segredo, mais uma vez usando minha lorotagem altamente funcional.

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No dia seguinte, de manhã, minha mãe veio me acordar falando que o Eduardo tava lá fora me esperando para irmos jogar bola. E eu exclamei : É UM MILAGRE, VIVA!


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Com amor, George

  George, um rapaz charmoso que sempre sentava na mesa da frente a de Elisa, no Coffee Day onde eles começavam o dia, vivia a lançar seu olhar tímido e penetrante sobre a desconcertada moça.
  Nas noites de Elisa, George se tornava pensamento cada vez mais frequente e ela achava errado por ser casada há mais de uma década - apesar deste relacionamento não estar em boa fase.
  Os dias se passavam e George invadia seu dia a dia, e por vezes ela o comparava a seu ausente marido Léo. Comparava os cabelos, os olhos, o modo como segurava o jornal e bebia o cappuccino acomodado de pernas cruzadas, ou como desviava o olhar quando era encarado.
  Na última quinta-feira no Coffee Day, Elisa recebeu do garçom um bilhetinho em um guardanapo. Frases românticas que descreviam Elisa com detalhismo e paixão e timidamente pediam uma conversa. Ela sabia que eram de George, não por serem finalizados por "com amor, George", mas sim, quem mais poderia descrevê-la daquela forma se não alguém que a observasse atentamente todos os dias? Somente George.
  Após alguns dias de conversas por guardanapos o garçom trouxe o último bilhete. Este a convidava para uma viagem! Com todas aquelas conversas inteligentes e românticas, no calor do momento, ela aceitou. Tendo em vista ainda o total desastre que se encaminhava seu desgastado relacionamento com Leonardo.
  No dia seguinte, bem cedo, após um dia inteiro - e noite, pensando em tudo que estava acontecendo, ela fez as malas secretamente enquanto seu marido dormia, e partiu ao local marcado. Esperançosa para ouvir, enfim, a voz do charmoso George lá estava ela, como uma adolescente que fugia de casa. E ao chegar ao local descrito no papel, para sua enorme surpresa quem a aguardava era George, o faxineiro do Coffee Day, barrigudo e nada charmoso de olhar cansado que tinha uma paixão secreta por Elisa além de boas palavras.