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sexta-feira, 28 de abril de 2017

A infeliz naturalidade do abuso


   Quem nunca ouviu falar ou presenciou um caso de abuso sexual? A maioria das pessoas pode se lembrar de um caso ocorrido ainda nesta semana. E o pior disso tudo é que a constância dessas notícias não nos faz reagir contra, e sim, traz acomodação. Isto é inaceitável.
   O abuso sexual não deve ser entendido somente como a consumação do ato. De forma alguma. O menos agressivo abuso, seja um convite indesejado e insistente, seja travestir em elogio a objetificação da mulher em um produto é tão criminoso quanto a deflagração de um estupro. Este trato brando sobre assuntos que ferem a mulher decorre da construção social que ainda é vigente, especialmente em localidades mais pobres; a estrutura machista que torna menor os grandes problemas próprios desde modo social. É um problema comportamental.
   Não naturalizem o abuso. É covardia com quem o sofre, que acaba calada pelo medo e por essa naturalidade inventada. Isso mesmo, a mulher que sofre acaba aceitando o abuso como algo comum e sem importância. Esta ideia é reforçada por quem a cerca, inclusive mulheres. Cria-se, então, a cadeia fechada do abuso sexual, pautada no machismo e no silenciamento.
   É preciso romper esta cadeia atacando os elos mais fracos – os olhares invasivos, os “elogios” objetificadores e os toques sem permissão, todos, infelizmente, tão naturalizados.



quarta-feira, 27 de maio de 2015

Breve pronunciamento

   A busca pelo conhecimento é imprescindível para todo ser humano, logo, para a humanidade. Aliás, o saber humaniza, traz consciência de si e dos demais. Ensina os direitos, deveres e saber se colocar perante o mundo. Ensina também que nenhum homem tem, entretanto, lugar definido à se colocar. O saber liberta.
   E não há de se contentar com a libertação do indivíduo. Não à acomodação! Tão errado quando o agressor é aquele que silencia. Aquele que vê e não pronuncia é tão culpado quanto o que oprime e destrói. É preciso falar, clamar e reclamar. Não se pode acostumar-se com o errado, por menor que seja. Um "bom dia" mal dado ainda é um "bom dia" e, esperançoso, merece ser respondido à altura. Quem sabe, no dia seguinte, tal "bom dia" seja mais simpático. E isso é vida.

quarta-feira, 25 de março de 2015

O Mito da Caverna no século 21

   O "Mito da Caverna", aquele em que Platão narra, basicamente, sobre os homens em uma caverna observando as sombras (geradas por uma fogueira; "conhecimento") de seres de fora, deixando-os acuados e permanecendo, então, na caverna (escuridão da mente, ignorância), é bastante conhecido na filosofia e está presente em todo momento da vida de qualquer ser humano, isto é, comodidade e vício são comportamentos ocorrentes nos indivíduos, os quais devem-se negar e usarem-se de meios para não dar brecha para estes e semelhantes, como a preguiça, findando com o ser em estado de mentalidade estática.

   
O homem é curioso por natureza, entretanto, é igualmente natural a desistência frente a dificuldade ou quando se parece estar satisfeito com a situação, mesmo quando esta apresenta problemas que sejam pequenos. A internet surge como um grande vício do novo século. A facilidade de acesso e a enxurrada de entretenimento barato e atividades que servem unicamente para preencher o tempo vazio torna-se, muitas vezes, um percalço frente a outras atividades inerentes ao ser humano, substituindo a integração "olho no olho" por "emoticons, likes e follows".

- A internet caiu, vou ver como está lá fora.. (!)
   O grande problema está no ser humano, de fato. Aquele que se deixa levar pelos sutis trilhos da distração e do vício, e aqueles que se propõem a expor este conteúdo. Portanto, cabe unicamente ao indivíduo se comandar, e não seguir como trens pré-definidos de estação em estação. Contextualizando, a internet não é nenhuma vilã, é uma ferramenta. O homem pode usar um martelo para construir ou consertar uma bela cadeira, e este mesmo humano pode usá-lo para ferir outrem ou a si mesmo.

NOTA : A Caverna de Platão possui muitas interpretações e neste texto foi dito apenas o necessário para o objetivo claro. O Mito é muito mais complexo e recomenda-se que haja aprofundamento no assunto.