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domingo, 6 de novembro de 2016

Outra vez segunda-feira



   Outra vez segunda-feira, o relógio despertou, eu não. Em cima da hora me vi na rua arrumado e estressado junto de todas aquelas pessoas apressadas.
   Outra vez segunda-feira e o ônibus custa a cruzar a esquina em minha direção. Não me consola o fato de não ser somente eu. O estresse das manhãs de segunda afeta todos, aparente nas pernas agitadas e olhares impacientes numa dessas bucólicas ruas da Lapa ou Catete, já não faz diferença. A irritação do início da semana é sempre a mesma, alheia ao endereço.
   A chuva que se anunciava nas pesadas nuvens acima de mim gota à gota transbordava meu mau-humor. Fez também uma revoada de pombos fugir da praça e buscar abrigo na marquise ao meu lado. Neste momento vi meu ônibus surgir na esquina. Minha segunda parecia melhorar, afinal. Não! Mais uma vez engano, como geralmente acontece. Um dos malditos pombos me trouxe de volta para aquela segunda-feira. Camuflado dentre muitos pingos de chuva, o desgraçado cagou no meu terno.
   Outra vez segunda-feira e eu me atrasei, não peguei o ônibus, não fui ao trabalho.


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Teatro de Nelson Rodrigues

  Nos idos da década de 1940, Nelson Rodrigues solidificava uma nova postura dramatúrgica brasileira, influenciando gerações e redefinindo para sempre o teatro, o qual, hoje, inclusive, funde artista e arte; o chamado Teatro Moderno de Nelson Rodrigues.
  Ele, que também foi jornalista, causou polêmica e estranhamento com as particularidades da peça Vestido de Noiva, sendo considerado o marco inaugural do nosso teatro contemporâneo. O espetáculo, que estreou nos palcos cariocas em 1943, sob a direção de Zbigniew Ziembinski, chamou a atenção por se passar em três planos distintos que se cruzam – memória, alucinação e realidade, criando uma viagem ao interior da mente e da alma da personagem principal.
  Sobre a peça especificamente, destacavam-se elementos na narrativa os quais ajudam a entender as inovações impostas por Rodrigues. Antes, o teatro moderno brasileiro teve destaque com as peças “O Rei da Vela”; “O Homem e o Cavalo” e “A Morta”, de Oswald de Andrade. No entanto, tratava-se de um teatro elitista, engajado e intelectualizante, envolvida, muitas vezes, por improvisos de grandes astros mimados.
  Com "Vestido de Noiva" Nelson - e Ziembinski, impõe a arte pela arte em cima do tablado. Lida com conceitos metafísicos tocando a espiritualidade do homem e as preocupações fundamentais da alma, alcançando, inevitavelmente, sua maior questão; a morte. A peça revela o pessimismo moral do autor expresso através da agonizante protagonista Alaíde durante sua permanência no hospital, destacando uma sociedade baseada no desejo, na disputa, na inveja e na traição, engrandecendo muito a obra. Nelson Rodrigues apôs ao título de sua peça a indicação: tragédia em três atos.
  Seu marcante espetáculo uniu as faces que caracterizaram essa etapa da dramaturgia no Brasil, inovando não apenas na temática, mas nos recursos cênicos, exigindo sensibilidade e destreza a encenadores, diretores e iluminadores que davam vida a suas peças. Se, quando nem país éramos, as encenações dos Autos propagavam dogmas cristãos e doutrinavam os povos indígenas, depois de Rodrigues e sua perspicácia única, o teatro desnuda aspectos proibidos da vida familiar e sexual dos brasileiros, chocando plateias lotadas. 


quarta-feira, 25 de março de 2015

Cada um com seu Mito

   Valentes lusitanos predestinados a desbravar o além mar, confrontaram, há mais de 500 anos, a impetuosa e poderosa Igreja Católica, que comandava a sociedade com seus dogmas e ensinamentos, através de um véu de fé e santidade. O mito de que a terra era plana e que ao fim do horizonte nada mais havia que um precipício universal onde desaguavam os oceanos, empregado por esta instituição de gigante influência, foi quebrado graças a coragem de alguns homens e de uma nação que se abria para o conhecimento maior.
   Na época, tantos mitos já se quebraram que parecia impossível sustentar semelhantes na Era Moderna. O tal mito da terra plana sumiu junto às naus portuguesas no horizonte do mar Atlântico e, com eles retornaram, além de boas novas e nova terra, outros mitos como serpentes marinhas gigantes, lulas engolidoras de navios, além dos recém criados na América e que se criariam dali para frente, provando que o homem está sempre a criar mitos e, quase sempre, a desvendá-los.

Acompanhem o vídeo : As Grandes Navegações, Mitos e Descobertas

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Falta aos brasileiros - Ética comportamental

Moral : substantivo abstrato referente a um conjunto de regras pré-estabelecidas por um grupo garantindo sua convivência em harmonia. Quem vai contra estas regras esta sujeito a punição. Por exemplo, agredir uma pessoa é contra a moralidade da nossa sociedade e é sujeita a punição, assim como a pichar propriedade alheia ou pública é crime, até mesmo ambiental.

Ética : termo que designa normas determinadas por cada indivíduo do que é certo e/ou errado de se fazer, independentemente da moral. Por exemplo, uma senhora carregando sacolas. Algumas pessoas podem se sentir quase obrigadas a ajudá-la, outras podem não se importar com a situação. Como a ética é pessoal, não é prevista nenhuma punição para alguém que não a faça.

O Brasil, um país grandioso - em tamanho territorial, está engatinhando em educação para todos e acima disso, em respeito ao próximo e ao comportamento numa sociedade.
Uns dias atrás, eu estava observando preços de uns iogurtes na secção de frios no mercado quando a minha esquerda observo uma cena no mínimo digna de minha atenção. Um rapaz, por volta de seus 16 anos ouvia música com seu aparelho de última geração, enquanto aguardava para verificar o preço de um daqueles pacotes de salgadinhos que vem mais ar do que produto, em uma dessas maquininhas que todo supermercado tem.  Após alguns segundos o rapaz já denotava sinais de impaciência - característico nestes tempos - e deu uma olhadela no celular, aparentemente para ver as horas.
A sua frente um senhor com seus sábios mais de 80 anos, demonstrava dificuldade para verificar o preço de um produto de limpeza. Assim continuou por um tempo, sendo observado com certa indignação pelo jovem, como se o senhor tivesse alguma culpa. Engana-se quem pensa que aquilo continuou por muito tempo. Não demorou muito para o rapaz se RETIRAR dali com pressa, enquanto o senhor ainda não sabia o preço do produto.
Agora eu os indago: o que há de sabedoria neste exemplo verídico? Um jovem alienado com roupas da moda e celular high-tech conhecer mais de 900 bandas, saber a letra de mais de 200 músicas e a biografia de 10 vocalistas destas bandas? Não! Sabedoria com certeza tem aquele senhor, com seus 80 anos vividos sem celular,  que já não possui a destreza necessária para usar a máquina de preços do mercado.
O rapaz, em vez de oportunizar fazer o bem ao próximo, tirar de apuros aquele velho homem e ainda se ajudar - pois seria ele o próximo - preferiu seguir em frente, talvez a procura de outra maquininha.
Felizmente, quando eu já me direcionava ao velho, uma atendente do mercado se prontificou a fazer por mim.  Atitudes como essa, além de fazerem bem a nós mesmo, tiram vários velhinhos simpáticos de dificuldades momentâneas.

A ética comportamental é uma das coisas que falta a muitos e muitos brasileiros. Acompanhe : ajudar um cego a chegar a um certo local, ceder lugar num transporte público a alguém que realmente precise, não furar filas, não agir de forma preconceituosa, não jogar lixo na rua, pegar a carteira caída e correr atrás do dono, segurar a porta para alguém ... são atitudes que a maioria julga como certas e que devem ser feitas, mas poucos são aqueles que se preocupam em perder uns minutos de seu corrido dia para cometê-las. Essas atitudes não custam nada e não é por que não agregam punição que não devem ser feitas.

Por fim, como podemos cobrar integridade, transparência, respeito, cordialidade, sinceridade, educação e responsabilidade aos nossos comandantes, àqueles que governam este país ou mesmo a qualquer pessoa se não cumprimos com a ética em nossos dia a dia?
Você critica, mas você não pratica! Vamos fazer desse país algo melhor, vamos esquecer um pouco da estética e lembrar mais da ética.


domingo, 10 de fevereiro de 2013

Ah! O carnaval

 
Bem, antes da parada carnavalesca eu avisei sobre um tempo (que não durou muito), mas engana-se quem pensa que meu interesse era de sair e curtir o feriado. Esperava eu justamente por ele para desligar-me da escola, me distrair lendo algo ou vendo filmes - algumas coisas que difícilmente encontro tempo quando a escola começa a engrenar - enquanto o pessoal se "divertia" por aí.
Eu, como morador do Rio de Janeiro, orgulhosamente, e ainda numa das áreas mais agitadas neste período, me ví numa cituação curiosa. Sendo eu não muito festivo ou popular, muito menos propenso a multidões estive quase que obrigado a participar do carnaval como um folião de carteira. Família, amigos e até mesmo vizinhos - que no caso não são meus amigos nem muito menos famíliares - me forçaram a ir aos blocos e me divertir! Alguém lembrou de perguntar-me o que é diversão para mim? Creio que não.
Depois me taxam de não-sociável ... bem, isso pra mim não é socializar, é contribuir com coisas erradas.
Tudo bem que eu fui, confesso. Mas são poucos que sabem aproveitar com responsabilidade.


O carnaval não é de TODO ruim, vejam o comércio em geral, vendedores ambulantes e lojas de fantasias e afins, por exemplo. Talvez em nenhuma outra data eles lucrem tanto. Tudo bem que a prefeitura, com o dizer de organizar a festa, cadastram os vendedores que circulam pelas ruas para na verdade lucrar um algo mais nisso. Mas lembrem que o carnaval não dura o ano todo, pequenos comerciantes.
É ... esperem, estou a pensar em algo positivo a mais para citar. Ah, sim! As fantasias são uma parte bacana da festa, dando oportunidade para usar a criatividade de forma geral - não como o Helloween, que é limitado ao gênero sinistro e não é muito popular no Brasil.
Outro ponto positivo é a história que traz o carnaval. Apesar de não ser uma festa geniunamente brasileira, tem longa data por aqui e pode nos dar a oportunidade de conhecer um pouquinho das histórias curiosas que se confundem com a história do Brasil, com atento ao Rio de Janeiro com seus blocos característicos além dos que trazem as escolas de samba, na maioria das vezes.
Bem, vendedores que lucram acima da média, fantasias, um pouco de história ... não consigo enxergar mais nada positivo que seja intimamente ligado ao carnaval.
Agora vamos aos pontos negativos. Que podem não ser tantos, mas são tudo.


Drogas e drogas

Durante o carnaval as bebidas alcoólicas são um atrativo a mais para aumentar a sensação de diversão, mas elas não agem sozinhas. Drogas sintéticas chegam pra deixar todo mundo doidão de vez. Consideradas ilegais,  elas circulam tranquilamente entre todos inclusive nas mãos de menores.
O risco não é só para os que estão a volta do cidadão que as usa, pois tira-o da realidade concreta. Mas também ao próprio usuário, e eu não estou falando de uso a longo prazo. Muitas das substâncias usadas levam facilmente a desidratação e até a parada cardiorespiratória, principalmente aliados a energéticos.




Mortes

Com bebida pra todo lado, os ânimos nos mais altos níveis e as pessoas fora de si fica fácil de rolar brigas e acidentes de trânsito. Que já são um tremendo transtorno em todos os sentidos para os envolvidos, se tornam uma mancha na vida quando envolve a morte, o que não é raro, mesmo.





Sexo, estupro e aborto

A festa onde tudo é permitido acaba fazendo que foliões mais exaltados, que não são poucos, se sintam a vontade a seder aos desejos e acabam se pegando pra valer sem importar o lugar. Afinal, é festa para todo lado. E isso tá certo? Pegação extrema, hetero ou homo, frente a crianças ou mesmo pessoas de família que só estão ali para se distrair um pouco.
As pessoas realmente perdem a noção quando o álcool e/ou drogas sobem á cabeça. E vejam só, mesmo as drogas lícitas levam a um ponto mais crítico, o estupro.
Pois, carnaval é pegação e você, sujeito garanhão e com bosta na cabeça se interessou pela pequena jeitosa alí. Você até tentou uma investida que não deu certo. O que você faz? Vai embora, parte pra outra, certo? Não, folião garanhão com desvio intestinal viseral! Você é bombado e ela parece estar sozinha, o local é propício e .. 15% dos casos de queixa na polícia durante este período são relacionados de assedio e/ou estupro, ou mesmo tentativa. E isso nos leva ao próximo trecho, o aborto.
Uma curtida com aquele gato, e o clima esquenta mas não tem camisinha. O que acontece? Eles fodem!
Ah! sim, a quantidade e facilidade em cometer um aborto hoje é um convite a não proteção.
Pois a proteção é apenas para não engravidar, pensam alguns que eu sei.
O índice de transmição de doenças sexualmente transmisíveis é absurdo! E, amigos, estamos falando de coisas que levam a morte, Aids e outras doenças. Isso não se prende somente aos gays, que curtem mais um pele a pele.



Brasil, meu Brasil

A imagem passada pelo carnaval ao mundo com certeza não é das melhores. Mulheres, drogas e desordem. É isso que você almeja para seu país? Se for, você é um depravado desgraçado de merda.
Muitos desses problemas poderiam ser selados com uma ótima organização, mas neste quesito estamos carentes.
E o dinheiro? Ah, dinheiro ... é disso que ELES gostam. E para o goza do povo, nada mais justo que tirem dos cofres públicos todo a bufunfa para bancar a zorra. Dinheiro que poderia ser investido em saúde e educação, este último que tanto falta a essa gente. Fora isso, gostaria de citar o lixo pela cidade, o envolvimento de escolas de samba com a ilegalidade, prostituição entre outros problemas que não desenvolvi-os aqui por estar cheio de coisas ruins. Mas claro que tudo isso não é claramente visto, muito porque os globais mostram apenas o que convém para este convenho ladrão.