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sexta-feira, 28 de abril de 2017
A infeliz naturalidade do abuso
Quem nunca ouviu falar ou presenciou um caso de abuso sexual? A maioria das pessoas pode se lembrar de um caso ocorrido ainda nesta semana. E o pior disso tudo é que a constância dessas notícias não nos faz reagir contra, e sim, traz acomodação. Isto é inaceitável.
O abuso sexual não deve ser entendido somente como a consumação do ato. De forma alguma. O menos agressivo abuso, seja um convite indesejado e insistente, seja travestir em elogio a objetificação da mulher em um produto é tão criminoso quanto a deflagração de um estupro. Este trato brando sobre assuntos que ferem a mulher decorre da construção social que ainda é vigente, especialmente em localidades mais pobres; a estrutura machista que torna menor os grandes problemas próprios desde modo social. É um problema comportamental.
Não naturalizem o abuso. É covardia com quem o sofre, que acaba calada pelo medo e por essa naturalidade inventada. Isso mesmo, a mulher que sofre acaba aceitando o abuso como algo comum e sem importância. Esta ideia é reforçada por quem a cerca, inclusive mulheres. Cria-se, então, a cadeia fechada do abuso sexual, pautada no machismo e no silenciamento.
É preciso romper esta cadeia atacando os elos mais fracos – os olhares invasivos, os “elogios” objetificadores e os toques sem permissão, todos, infelizmente, tão naturalizados.
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quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Você conhece Francisco de Vitória?
Nos anos
1500 -vocês sabem, ocorreram as Grandes Navegações, quando os reinos europeus
buscavam domínio de novos territórios, dizimando, para esse fim, milhares e
milhares de outros humanos que já viviam em tais terras. Tupi-guarani,
Ianomâmi, Incas, entre outros.
Nessa mesma época ainda, tão distante dos anos
1980, data da declaração dos direitos humanos em definitivo, Francisco De
Vitória, Universidade de Salamanca na Espanha, propunha o pensamento a favor
daqueles que, apesar de humanos, tornavam-se animais de carga e trabalho,
quando não morriam nas mãos brancas.
De Vitória acreditava
que a origem da lei emanava da própria natureza, dado que todos dela surgem e
compartilham a vida. Portanto, a ideia de direito natural surgia enfatizando a
liberdade individual e a igualdade, pois, no começo, tudo é comum a todos.
Como todo
visionário, Francisco de Vitória não teve facilidade despejando seus simplórios
pensamentos. A época confrontou a visão dominante da Igreja Católica e das
potências coloniais europeias. A moral cristã tornava legítimo conquistar e
governar os nativos. De Vitória irritou também monarcas, em especial o Rei
Carlos V, da Espanha, ao ameaçar seu direito divino de comandar. O estudioso
definiu que a guerra de dominação justificada no poder catequizador era
contraditória. Usando as próprias leis cristãs ele disse que era do homem o livre-arbítrio,
portanto, se escolhesse não ser inserido nos costumes de outra civilização, que
não fossem forçados.
De Vitória
separou as questões da justiça e da moralidade da religião, em 1500, e lançou
alicerces para estudos futuros do direito internacional e dos direitos humanos.
A doutrina em que estados beligerantes têm responsabilidades e que os não
combatentes têm direitos -preservados nas convenções de Haia e Genebra-
originou-se em seus pensamentos.
A pergunta
que fica é; cadê os direitos humanos dos índios?
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