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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Crítica Retroativa: Alien - Covenant não convém

 

   O sci-fi de terror tem direção de Ridley Scott, o embrião do universo Alien e isso poderia ser ótimo se sua essência fosse misturada com algo genuíno e não meramente um prequel explicativo.
   O filme tenta homenagear a quadrilogia clássica e isto é visto claramente em muitos momentos como a presença de um andróide sintético de caráter dúbio, uma protagonista que sofre e tenta ser heroica, além muitas cenas específicas envolvendo o xenomorfo. No entanto, tudo se perde quando o longa não entra em acordo com um propósito, deixando seus personagens rasos e descompassando o enredo.
   Covenant não convence nem como tributo à série, uma vez que as características inerentes do universo Alien não carregam o mesmo impacto. As mortes causadas pelos aliens não tem o mesmo apelo espetacular e dramático que nos precedentes. A tensão é criada primorosamente por uma trilha até mesmo nos poucos momentos de calmaria, mas falha tragicamente quando deveria explodir em nossas barrigas. Decepcionante.
   Neste sentido, o aspecto mais gritante está ligado a Katherine Waterston que interpreta a sub-capitã Daniels. Seu protagonismo é evidente desde o início, mas não é efetivo em nenhum momento. Com uma sucessão de perdas no comando da nave colonizadora Covenant, ela precisa carregar o filme e, infelizmente, não chega sequer aos pés de Ripley (Sigourney Weaver). Daniels é praticamente inexistente na primeira metade do filme, sendo reativa a todas as situações e sua mudança de comportamento não é crível principalmente por vir na hora errada.
   Michael Fassbender surge como um possível alívio dentre atuações questionáveis e uma história sem grandes tramas. O fato de interpretar dois andróides de gerações diferentes e comportamentos opostos; David, moderno e com aspectos humanos suavizados, Walter, obsoleto e com as piores características humanas, o engrandece por nos fazer realmente acreditar nessas diferenças entre os personagens.
   Alien - Covenant é um episódio explicativo entre Prometheus (2012) e O Oitavo Passageiro (1979) abarrotado de cenas-homenagem, mas que não precisava de um filme para si.





domingo, 7 de maio de 2017

Crítica Retroativa: Fragmentado reúne o melhor de Shyamalan


     O filme ostenta o nome de seu diretor como uma bandeira atrativa nos posters e banners. Parte da expectativa gira em torno da identidade de M. Night Shyamalan, conquistada nos primeiros anos de Hollywood, com O Sexto Sentido e carimbada com os outros sucessos conseguintes. Fragmentado aplaca o melhor estilo shyamalânico e todo o resto acompanha em alto nível.
     O thriller começa com o pé na porta em uma eletrizante cena de sequestro. A adrenalina é enclausurada e vai se liberando devagar aos olhos do público conforme conhece as várias e distintas personalidades do esquizofrênico Kevin, interpretado por James McAvoy. Anya Taylor-Joy dá vida a Casey, que coprotagoniza em cárcere com uma atuação de igual calibre e precisão.
     Em Fragmentado, Shyamalan retoma a perfeita dosagem entre o científico e o fantástico, o real e o sobrenatural – característica do diretor, porém que havia sido desmedida depois de Fim dos Tempos. Com um cast de atuações sem extravagâncias aliado a um roteiro que não permite desviar os olhos da tela, o público é levado para dentro daquele universo e, desta forma, as múltiplas personalidades de Kevin são tão reais quanto assustadoras. 
     Por falar em cast, James McAvoy tem uma de suas melhores atuações alternando desafiadoras 23 personalidades. É bem verdade que, para a história progredir adequadamente em 2 horas, existe a priorização de cinco ou seis facetas – o pouco tempo de tela para as demais é perfeitamente justificado dentro da narrativa. 
     Ainda assim, McAvoy surpreende com sua interpretação sutil sempre que necessária. Ao mesmo tempo que a diferença entre as personalidades se dá de forma branda, com pequenas modificações na boca ou semblante, quem assiste percebe nitidamente a mudança de tom do personagem e da atmosfera que o cerca. Neste sentido, os close-ups com grande-angular que Shyamalan tanto gosta casam perfeitamente com a atuação precisa de James McAvoy.
     Anya Taylor-Joy é mais uma grata surpresa que Fragmentado agrega. A atriz que deu as caras em A Bruxa (2015) parece estar conquistando seu espaço com atuações seguras que podem explodir sem que isso cause estranheza. No filme, parte do passado de sua personagem é contado em paralelo à medida que ela conhece seu sequestrador, justificando a inteligência da personagem e seu modo analítico de lidar com cada personalidade para fugir do cativeiro.
     Fragmentado é isso: reúne o melhor do roteiro e direção de M. Night Shaymalan e é levado por grandes atuações sem exageros espalhafatosos. Dizer mais sobre o longa estragaria a experiência de conhecer a bestial vigésima quarta personalidade de Kevin e o que ela promete.



domingo, 6 de novembro de 2016

Outra vez segunda-feira



   Outra vez segunda-feira, o relógio despertou, eu não. Em cima da hora me vi na rua arrumado e estressado junto de todas aquelas pessoas apressadas.
   Outra vez segunda-feira e o ônibus custa a cruzar a esquina em minha direção. Não me consola o fato de não ser somente eu. O estresse das manhãs de segunda afeta todos, aparente nas pernas agitadas e olhares impacientes numa dessas bucólicas ruas da Lapa ou Catete, já não faz diferença. A irritação do início da semana é sempre a mesma, alheia ao endereço.
   A chuva que se anunciava nas pesadas nuvens acima de mim gota à gota transbordava meu mau-humor. Fez também uma revoada de pombos fugir da praça e buscar abrigo na marquise ao meu lado. Neste momento vi meu ônibus surgir na esquina. Minha segunda parecia melhorar, afinal. Não! Mais uma vez engano, como geralmente acontece. Um dos malditos pombos me trouxe de volta para aquela segunda-feira. Camuflado dentre muitos pingos de chuva, o desgraçado cagou no meu terno.
   Outra vez segunda-feira e eu me atrasei, não peguei o ônibus, não fui ao trabalho.


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Tão antiga

Quão certo estou a idade que tanto vi e quase nada aprendi?
Abrir um pensamento com um questionamento e não uma certeza
é preguiçoso como todos os anos que me passaram
por cima
E isso já responde muito
preguiça

Eu estou certo do que não aprendi, não aprendo
Não aprendi sobre o amor
Amizade, morte, família, esoterismo
Não aprendi a arrumar minha cama
lasanha, banho no cachorro
Eu não aprendi a beber, nem trabalhar
e trabalhando aprendi a beber, sem plenitude
desaprendendo a trabalhar
Eu nunca soube responder perguntas diretas:
quem é você? Vamos?
Eu jamais soube o pensamento, nem meu
O sofrimento do animal

Aprender é tão irreal que parece livro de autoajuda
que ajuda o autor, não o comprador
e portanto nem deveria existir, autor 
Anos a fio, branco
não explicam quem eu sou

Se sou, não poderia ser
Perceba: a expectativa, o brilho, a vontade
diminiu
Não tenho vontade de ser, nem de nenhuma outra expectativa
O que adianta querer viver se sobre a vida poder nenhum possuo?

Tudo me tem, nada seguro

Eu quis voar, me apedrejaram
Eu quis estar no chão, me aterraram
Amarrado

Quão limitado é ser jovem
Quanta jovialidade é ser limitado quando adulto

Foi bom
Tão bom que temo ter sido ilusão líquida

Quão velho sempre estive
e aqui a felicidade é uma ideia antiga

Tão antiga



terça-feira, 1 de março de 2016

Amanhã e hoje


Amanhã eu tenho um amigo
para conhecer
Nele confio
confio, pois, devo para ser

Depois, à tarde
tenho um cachorro
para enterrar, arde
pouco

Eu tenho planos para cada
amanhã, mas, hoje
Hoje não tenho nada
Tudo me foge

Eu tenho uma mãe, um pai
amanhã, comigo
para lembrar do que vai
quando sozinho

Amanhã eu tenho uma linda garota
E nós, uma pequena vida
Proteger, estar, me logra
Numa casa no topo da descida

Amanhã, mas hoje não
Hoje nada possuo
Hoje, então
o vácuo é mútuo

Amanhã, sei que terei
quem olha por mim
Quem? Ei...
Sei que sim

O hoje me estranha
pelo arredio semblante
O amanhã me ganha
ainda que distante

Amanhã eu tenho
Hoje, falta
mesmo sendo
tudo da mesma alma

No hoje de posse
quem nada tem, veja
Nada é e perece
Se nada é, nada terá, até que seja

quarta-feira, 25 de março de 2015

O Mito da Caverna no século 21

   O "Mito da Caverna", aquele em que Platão narra, basicamente, sobre os homens em uma caverna observando as sombras (geradas por uma fogueira; "conhecimento") de seres de fora, deixando-os acuados e permanecendo, então, na caverna (escuridão da mente, ignorância), é bastante conhecido na filosofia e está presente em todo momento da vida de qualquer ser humano, isto é, comodidade e vício são comportamentos ocorrentes nos indivíduos, os quais devem-se negar e usarem-se de meios para não dar brecha para estes e semelhantes, como a preguiça, findando com o ser em estado de mentalidade estática.

   
O homem é curioso por natureza, entretanto, é igualmente natural a desistência frente a dificuldade ou quando se parece estar satisfeito com a situação, mesmo quando esta apresenta problemas que sejam pequenos. A internet surge como um grande vício do novo século. A facilidade de acesso e a enxurrada de entretenimento barato e atividades que servem unicamente para preencher o tempo vazio torna-se, muitas vezes, um percalço frente a outras atividades inerentes ao ser humano, substituindo a integração "olho no olho" por "emoticons, likes e follows".

- A internet caiu, vou ver como está lá fora.. (!)
   O grande problema está no ser humano, de fato. Aquele que se deixa levar pelos sutis trilhos da distração e do vício, e aqueles que se propõem a expor este conteúdo. Portanto, cabe unicamente ao indivíduo se comandar, e não seguir como trens pré-definidos de estação em estação. Contextualizando, a internet não é nenhuma vilã, é uma ferramenta. O homem pode usar um martelo para construir ou consertar uma bela cadeira, e este mesmo humano pode usá-lo para ferir outrem ou a si mesmo.

NOTA : A Caverna de Platão possui muitas interpretações e neste texto foi dito apenas o necessário para o objetivo claro. O Mito é muito mais complexo e recomenda-se que haja aprofundamento no assunto.


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Uma flor para Rosa

   Em meio a Julianas, Rafaelas, Carolines e Carolinas, Stefanis e Letícias, Marianas e Anas, eu encontrei Rosa. De fato, ela me encontrou. Era meio do ano, cheguei como de costume cedo a escola e ela, Rosa, conseguiu chegar mais cedo ainda. Jamais a vira por ali, e sua indagação me confirmara. "Oi. Onde fica a sala 1901?", disse ela, tocando-me os ombros por trás. Eu, desconcertado, como nunca antes, titubeei. Ela tão naturalmente linda. Tão espontânea. Tão sem medo. "Ali.", disse eu, apontando para a sala 1901, encoberta da pilastra. Ela agradeceu tão rapidamente quanto eu havia me apaixonado e seguiu até lá. Rosa visivelmente saíra de sua escola e matriculou-se no meu coração.
   Eu sou um garoto normal, um garoto qualquer, aluno da 1901. Segui até meu lugar, no fundo, tentando procurar aquele rosto. Em vão. Mal sabia eu que Rosa estava em meio àquele grupinho. Rosa era conhecida, popular, assim que chegou. Uma garota como ela certamente atraia atenção, mas isso não lhe retirava a simplicidade e simpatia. Naquele momento - e durante um bom tempo, eu não sabia que estava perdidamente caidinho por ela. A professora fez o favor de me apresentá-la, pois, não haveria modo de eu saber por conta de minha timidez, frente a ela. "Esta é nossa nova aluna, Rosa", disse, sem pompas. Rosa?
   A cada dia que se seguia eu conhecia mais e mais Rosa, à distância. Era mudo para ela. E ela o mundo para mim. Ela tinha os cabelos naturalmente lindos e negros, os quais enrolava as pontas algumas vezes nas aulas mais estendidas. Sua boca pequena e vermelha, suas sobrancelhas bem definidas na pele branca. Seu nariz discreto e fino. Seus olhos cansados e, paradoxalmente, vívidos. Suas mãos pequenas e, de longe, macias. Seus gestos calmos e fala bem pensada. Eram todos esses detalhes perfeitos.
   Depois de meses naquela escola, Rosa era mais conhecida que eu em anos. Talvez ela não conhecesse tanta gente que a conhecia, como eu. Talvez. Na aula de educação física, lá estava eu, disposto, sem ironia. E ela disse, de longe, "Ei, Felipe!", eu apenas virei em sua direção e esperei que ela se aproximasse. "Tudo bem?", ela perguntou. Eu quase não respondi tão encantado com as sutis sardas que corriam da esquerda para a direita abaixo de seus olhos e eu nunca percebera. Respondi, então, mexendo a cabeça para cima e para baixo."As meninas falaram que eu devia falar com você sobre o trabalho de filosofia", ela disse e eu perguntei, "Como assim?". Ela prosseguiu, "Elas me disseram que você saberia me explicar melhor o que é para fazer, pode?". Acho que até poderia ser visto o sorriso em meus olhos ao ouvir aquelas falas direcionadas a mim. Ela poderia ter me xingado que eu estaria feliz por ter me dado alguma atenção. "Claro. Olha, Aristóteles dizia que ..", ela me cortou, "Não", e deu o sorriso mais lindo, concluindo, "Não agora. A gente tem o final de semana para estudar" e eu apenas, mais uma vez, concordei mentalmente com o que ela dizia, e ela falou, "Será que você pode ir lá em casa amanhã?", eu pirei, muito, e aceitei.
   No sábado, lá estava eu, feliz da vida. No quarto dela, esperando uns lanchinhos feitos pela mãe dela. Expliquei a ela o trabalho de filosofia, e, com o tempo sobrando, estudamos matemática. A mãe dela avisou que meu pai estava a minha espera para me levar para casa. Rapidamente Rosa se despediu de mim, sem antes dizer que foi muito bom estudar comigo naquela tarde. Eu não pude acreditar. Até dois dias antes eu era apenas um carinha que ela pediu uma informação há meses, e que ela nem lembrava mais e naquele momento... Bem.,. Eu não sei.
   Na segunda-feira eu sentia que precisava falar com ela e, encorajado pelas palavras do meu pai, disse a Rosa, "Oi". Ela educadamente respondeu, me desejando bom dia, também. Foi o bastante para mim. Conforme o passar dos dias e semanas, o fim do ano se aproximando, eu me via cada vez mais envolvido a ela e, achei, ela a mim. Meu pai me incentivava cada vez mais, e dava resultados. Logo eu e Rosa éramos melhores amigos. Me sentia bem. E queria mais. O amor que eu nutria por Rosa era grande demais para ter ela como uma amiga. Meu pai, novamente, me ajudou. Disse-me sobre como conquistou minha mãe; com uma flor. Ele me ajudou a escolher a mais bela flor no cominho da escola, e eu a levei, junto de minha apreensão e medo, e paixão. Assim que cheguei fui decidido até Rosa, rodeada de amigos, que também eram meus amigos, mas não tão amigos assim -quem sabe nem tão amigos dela também. Eu comecei a falar algumas coisas, que nem me lembro devido ao nervosismo da ocasião ou quem sabe pela vontade do meu cérebro de esquecer tal momento. Eram coisas românticas, coisas do meu eu mais profundo, coisas mais sinceras que alguém possa declarar a quem se ama. Eram coisas estúpidas. Eu finalizei entregando a flor para Rosa, junto a meu pedido de namoro. As pessoas à volta não pareciam acreditar. Nos segundos de hesitação notei que algumas seguravam o riso, outras pareciam assustadas e umas não fizeram questão de disfarçar nada. "Eu não vou aceitar isso, que brega, Felipe" Rosa atirou em meu peito. Irritada, jogou a flor no chão. "O que você estava pensando? Somos amigos! A-mi-gos!" fuzilou-me. "E o que você falou? Não entendi metade, putz", era um Hiroshima e Nagasaki. Todos ao redor podiam rir, agora. A cena a seguir pode ser imaginada por você aí, para mim já dói escrever até aqui.
   Rosa, minha linda ordinária, continua com seus amigos e uma parte do meu amor. Mas eu... Ah, eu... Não sou mais o Felipe de frases românticas. A garota simples e romantizada mostrou-me que o amor de nada vale hoje em dia. Uma rosa é uma rosa. Todo o amor que poderia eu sentir, errou o alvo, caiu com a rosa, apodreceu com a rosa e não pode ser recuperado.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O Porco

Era uma vez um porco chamado Godofredo. Godô era antissocial e sedentário, passando o dias e dias em frente ao PC jogando Minecraft e comendo bacon, sua comida preferida. Os dias se passaram e Godofredo via seu vício em bacon aumentar. Godofredo então matou toda sua família, o senhor e a senhora Costelinha Defumada e o pequeno Toucinho Neto,  iniciando uma série de assassinatos na Vila Chiqueiro. Mas, depressa foi detido pelo detetive Dom Bigodón, o gato.
Godofredo foi sentenciado a prisão perpétua, mas logo após seu julgamento, Godô não resistiu e se suicidou, saciando e pondo um fim a sua vontade por bacon e a uma das maiores histórias de serial killers que se tem notícias.