Quão certo estou a idade que tanto vi e quase nada aprendi?
Abrir um pensamento com um questionamento e não uma certeza
é preguiçoso como todos os anos que me passaram
por cima
E isso já responde muito
preguiça
Eu estou certo do que não aprendi, não aprendo
Não aprendi sobre o amor
Amizade, morte, família, esoterismo
Não aprendi a arrumar minha cama
lasanha, banho no cachorro
Eu não aprendi a beber, nem trabalhar
e trabalhando aprendi a beber, sem plenitude
desaprendendo a trabalhar
Eu nunca soube responder perguntas diretas:
quem é você? Vamos?
Eu jamais soube o pensamento, nem meu
O sofrimento do animal
Aprender é tão irreal que parece livro de autoajuda
que ajuda o autor, não o comprador
e portanto nem deveria existir, autor
Anos a fio, branco
não explicam quem eu sou
Se sou, não poderia ser
Perceba: a expectativa, o brilho, a vontade
diminiu
Não tenho vontade de ser, nem de nenhuma outra expectativa
O que adianta querer viver se sobre a vida poder nenhum possuo?
Tudo me tem, nada seguro
Eu quis voar, me apedrejaram
Eu quis estar no chão, me aterraram
Amarrado
Quão limitado é ser jovem
Quanta jovialidade é ser limitado quando adulto
Foi bom
Tão bom que temo ter sido ilusão líquida
Quão velho sempre estive
e aqui a felicidade é uma ideia antiga
Tão antiga
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