George, um rapaz charmoso que sempre sentava na mesa da frente a de Elisa, no Coffee Day onde eles começavam o dia, vivia a lançar seu olhar tímido e penetrante sobre a desconcertada moça.
Nas noites de Elisa, George se tornava pensamento cada vez mais frequente e ela achava errado por ser casada há mais de uma década - apesar deste relacionamento não estar em boa fase.
Os dias se passavam e George invadia seu dia a dia, e por vezes ela o comparava a seu ausente marido Léo. Comparava os cabelos, os olhos, o modo como segurava o jornal e bebia o cappuccino acomodado de pernas cruzadas, ou como desviava o olhar quando era encarado.
Na última quinta-feira no Coffee Day, Elisa recebeu do garçom um bilhetinho em um guardanapo. Frases românticas que descreviam Elisa com detalhismo e paixão e timidamente pediam uma conversa. Ela sabia que eram de George, não por serem finalizados por "com amor, George", mas sim, quem mais poderia descrevê-la daquela forma se não alguém que a observasse atentamente todos os dias? Somente George.
Após alguns dias de conversas por guardanapos o garçom trouxe o último bilhete. Este a convidava para uma viagem! Com todas aquelas conversas inteligentes e românticas, no calor do momento, ela aceitou. Tendo em vista ainda o total desastre que se encaminhava seu desgastado relacionamento com Leonardo.
No dia seguinte, bem cedo, após um dia inteiro - e noite, pensando em tudo que estava acontecendo, ela fez as malas secretamente enquanto seu marido dormia, e partiu ao local marcado. Esperançosa para ouvir, enfim, a voz do charmoso George lá estava ela, como uma adolescente que fugia de casa. E ao chegar ao local descrito no papel, para sua enorme surpresa quem a aguardava era George, o faxineiro do Coffee Day, barrigudo e nada charmoso de olhar cansado que tinha uma paixão secreta por Elisa além de boas palavras.
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