quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Você conhece Francisco de Vitória?


Nos anos 1500 -vocês sabem, ocorreram as Grandes Navegações, quando os reinos europeus buscavam domínio de novos territórios, dizimando, para esse fim, milhares e milhares de outros humanos que já viviam em tais terras. Tupi-guarani, Ianomâmi, Incas, entre outros. 

Nessa mesma época ainda, tão distante dos anos 1980, data da declaração dos direitos humanos em definitivo, Francisco De Vitória, Universidade de Salamanca na Espanha, propunha o pensamento a favor daqueles que, apesar de humanos, tornavam-se animais de carga e trabalho, quando não morriam nas mãos brancas.
De Vitória acreditava que a origem da lei emanava da própria natureza, dado que todos dela surgem e compartilham a vida. Portanto, a ideia de direito natural surgia enfatizando a liberdade individual e a igualdade, pois, no começo, tudo é comum a todos.

Como todo visionário, Francisco de Vitória não teve facilidade despejando seus simplórios pensamentos. A época confrontou a visão dominante da Igreja Católica e das potências coloniais europeias. A moral cristã tornava legítimo conquistar e governar os nativos. De Vitória irritou também monarcas, em especial o Rei Carlos V, da Espanha, ao ameaçar seu direito divino de comandar. O estudioso definiu que a guerra de dominação justificada no poder catequizador era contraditória. Usando as próprias leis cristãs ele disse que era do homem o livre-arbítrio, portanto, se escolhesse não ser inserido nos costumes de outra civilização, que não fossem forçados.

De Vitória separou as questões da justiça e da moralidade da religião, em 1500, e lançou alicerces para estudos futuros do direito internacional e dos direitos humanos. A doutrina em que estados beligerantes têm responsabilidades e que os não combatentes têm direitos -preservados nas convenções de Haia e Genebra- originou-se em seus pensamentos.


A pergunta que fica é; cadê os direitos humanos dos índios?

domingo, 15 de novembro de 2015

domingo, 30 de agosto de 2015

A Alemãzinha

   Peçanha, um amigo de idas e vindas, me convidou para passar o final de semana em sua pousada, em Arraial do Cabo. Era baixa temporada e inverno. Ele prometeu que o local seria todo nosso. Eu logo arrumei a bagagem e em poucas horas de uma viagem sonolenta estava na cidadezinha. Desci uma ruazinha pouco iluminada de paralelepípedos desnivelados onde ninguém mais andava. Cheguei à pousada “Vermelha” acompanhada pelo frio e uma sensação estranha causada pela ausência de pessoas pelo caminho, ainda mais para uma mulher de trinta e dois anos medindo um metro e sessenta de altura.
   Andei pela varanda de frente para a praia buscando através das portas de vidro alguma alma viva. Mas não. E a dita sensação estranha cresceu ao sentir-me completamente abandonada. Resolvi entrar. O silêncio era absoluto. Ouvia, apenas, as ondas agredindo a areia branca lá fora num ritmo despreocupado e constante.
   Estava na sala principal, onde as pessoas tomavam seu café da manhã, e ali esperei por poucos minutos, até ser incomodada pela lembrança do que Peçanha havia me dito; que eu fosse até o quarto 207. Direcionei-me a escada. Os degraus curtos e um estranho nervosismo me fizeram trançar o passo, cair e quase bater a cabeça no chão. As coisas não estavam à meu favor naquele dia. Acordei aos vômitos por algum chilique estomacal, com pressa tinha arrebentado o zíper da minha mala e o taxista que me trouxera era um tipo beberrão mal-educado. Esperava que aquele final de semana valesse, e não queria passar por ele com um galo na testa.

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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Breve pronunciamento

   A busca pelo conhecimento é imprescindível para todo ser humano, logo, para a humanidade. Aliás, o saber humaniza, traz consciência de si e dos demais. Ensina os direitos, deveres e saber se colocar perante o mundo. Ensina também que nenhum homem tem, entretanto, lugar definido à se colocar. O saber liberta.
   E não há de se contentar com a libertação do indivíduo. Não à acomodação! Tão errado quando o agressor é aquele que silencia. Aquele que vê e não pronuncia é tão culpado quanto o que oprime e destrói. É preciso falar, clamar e reclamar. Não se pode acostumar-se com o errado, por menor que seja. Um "bom dia" mal dado ainda é um "bom dia" e, esperançoso, merece ser respondido à altura. Quem sabe, no dia seguinte, tal "bom dia" seja mais simpático. E isso é vida.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Um pouco sobre Galileu, Darwin e Freud

 Galileu, Darwin e Freud foram pensadores que, em seu tempo e em sua área, contribuíram enormemente para o andamento da sociedade, desenvolvendo ideias já existentes, aprimorando-as, ou firmando seus próprios conceitos. Os três revolucionaram o modo de pensar e influenciaram o mundo até os dias atuais.
   Galileu Galilei (1564-1642) viveu em uma época que a ciência ainda estava sob a influência do misticismo e da dogmática Igreja Católica. Seu primeiro mérito, então, foi saber separar definitivamente os seus estudos destas interferências e, mais tarde, desafiar a poderosa religião cristã, afirmando que a Terra não é o centro do universo. Ele, portanto, teve seu maior êxito por redefinir o mundo por completo. Ainda assim, Galileu definiu muitos estudos fundamentais para os anos seguintes da astronomia e a ciência de modo geral.
   Charles Darwin foi outro cientista que bateu de frente com a teoria cristã, porém, numa época de mais aceitação, 1800. Não fosse a assombrosa constatação de Darwin, talvez tivesse tido menos problemas com a Igreja Católica, pela qual foi acusado de satanismo, ao demonstrar a Teoria Evolucionista, baseado na observação, que mais tarde viria a ser completada no que é chamado de Neo-Darwinismo. Ou seja, muitos dos estudos iniciados por estes e outros neste texto citados, se complementaram nas décadas posteriores.
   Se os dois pensadores acima agiram de forma a mudar a sociedade, para então mudar o homem, Sigmund Freud (1856-1939) agiu de maneira reversa, mas não menos eficaz; mudou o homem para atingir a sociedade. Seu trabalho consistiu em dissecar a mente humana e, por vezes grotesco, tentar entender o subconsciente e aquilo que o homem não comanda em seu universo.

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