Peçanha, um amigo de idas e vindas, me convidou para passar o final de semana em sua pousada, em Arraial do Cabo. Era baixa temporada e inverno. Ele prometeu que o local seria todo nosso. Eu logo arrumei a bagagem e em poucas horas de uma viagem sonolenta estava na cidadezinha. Desci uma ruazinha pouco iluminada de paralelepípedos desnivelados onde ninguém mais andava. Cheguei à pousada “Vermelha” acompanhada pelo frio e uma sensação estranha causada pela ausência de pessoas pelo caminho, ainda mais para uma mulher de trinta e dois anos medindo um metro e sessenta de altura.
Andei pela varanda de frente para a praia buscando através das portas de vidro alguma alma viva. Mas não. E a dita sensação estranha cresceu ao sentir-me completamente abandonada. Resolvi entrar. O silêncio era absoluto. Ouvia, apenas, as ondas agredindo a areia branca lá fora num ritmo despreocupado e constante.
Estava na sala principal, onde as pessoas tomavam seu café da manhã, e ali esperei por poucos minutos, até ser incomodada pela lembrança do que Peçanha havia me dito; que eu fosse até o quarto 207. Direcionei-me a escada. Os degraus curtos e um estranho nervosismo me fizeram trançar o passo, cair e quase bater a cabeça no chão. As coisas não estavam à meu favor naquele dia. Acordei aos vômitos por algum chilique estomacal, com pressa tinha arrebentado o zíper da minha mala e o taxista que me trouxera era um tipo beberrão mal-educado. Esperava que aquele final de semana valesse, e não queria passar por ele com um galo na testa.
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