quarta-feira, 25 de março de 2015

O Mito da Caverna no século 21

   O "Mito da Caverna", aquele em que Platão narra, basicamente, sobre os homens em uma caverna observando as sombras (geradas por uma fogueira; "conhecimento") de seres de fora, deixando-os acuados e permanecendo, então, na caverna (escuridão da mente, ignorância), é bastante conhecido na filosofia e está presente em todo momento da vida de qualquer ser humano, isto é, comodidade e vício são comportamentos ocorrentes nos indivíduos, os quais devem-se negar e usarem-se de meios para não dar brecha para estes e semelhantes, como a preguiça, findando com o ser em estado de mentalidade estática.

   
O homem é curioso por natureza, entretanto, é igualmente natural a desistência frente a dificuldade ou quando se parece estar satisfeito com a situação, mesmo quando esta apresenta problemas que sejam pequenos. A internet surge como um grande vício do novo século. A facilidade de acesso e a enxurrada de entretenimento barato e atividades que servem unicamente para preencher o tempo vazio torna-se, muitas vezes, um percalço frente a outras atividades inerentes ao ser humano, substituindo a integração "olho no olho" por "emoticons, likes e follows".

- A internet caiu, vou ver como está lá fora.. (!)
   O grande problema está no ser humano, de fato. Aquele que se deixa levar pelos sutis trilhos da distração e do vício, e aqueles que se propõem a expor este conteúdo. Portanto, cabe unicamente ao indivíduo se comandar, e não seguir como trens pré-definidos de estação em estação. Contextualizando, a internet não é nenhuma vilã, é uma ferramenta. O homem pode usar um martelo para construir ou consertar uma bela cadeira, e este mesmo humano pode usá-lo para ferir outrem ou a si mesmo.

NOTA : A Caverna de Platão possui muitas interpretações e neste texto foi dito apenas o necessário para o objetivo claro. O Mito é muito mais complexo e recomenda-se que haja aprofundamento no assunto.


sábado, 31 de janeiro de 2015

O dia em que minha mãe quase descobriu meu relacionamento com a maconha

Escrito por Róbso que se escreve Wando.

Lembro-me como se fosse ontem, era 30 de janeiro de 2015, tinha uma puta festa para ir e sabia que ia rolar altas putarias all night long. Após pedir o financiamento do meu pai, era a vez a contribuição da mulher que me deu a luz - agradeçam a ela.
Como de costume, ela me fez o interrogatório. Onde? Quem? Quando? Até que horas? O quê? Pra quê? Quanto? - São apenas alguns exemplos. Com larga experiência em embromação racionalista com especialização em lorotagem, consegui a quantia necessária para bancar a zona que aconteceria naquele dia e ainda me sobraram uns trocados, claro.
Estava na hora, a libertinagem começaria dentro de 1 hora.
Passei na casa do meu amigo, Edu, e de lá seguimos ao misterioso lugar.
Era tudo que eu esperava, à primeira vista. À segunda também, e na terceira, já estava muito escuro.
Bem, para encurtar essa bagaça, pularei o conteúdo da festa (talvez sirva para outro post, até lá, usem a imaginação).
Eis a etapa final daquela noite.
Quase 3 da matina, chego a porta de casa, após ter apresentado certas dificuldades para apertar o botão 6 do elevador, o que me fez dar um passeio pelos andares do meu prédio e conhecer lugares mais ocultos que a entrada para Hogwarts.
Quando consegui apertar a campainha e, obviamente, terminar a não mais Sinfonia Inacabada de Beethoven, minha mãe abriu a porta e disse algo assim :
- Entra logo, o que você tem na cabeça?
- Ah maaain, isso é pergunta que se faça essa hora da manhã?
- Senta ai, eu não vou nem perguntar porque você chegou essa hora, se o combinado era meia noite no máximo!
- Que bom, vou durmir ..
- Espera ai, porque seus olhos estão assim .. vermelhos ??
- (Ihh..) Bem mãe, senta aqui também e presta atenção:
Sabe o Eduardo .. ?
- O de rastafári?
- Que safári mãe!?.. o filho da Carla .. então, a gente tava curtindo a festa, super família lá mãe, cê precisava ver .. ai o pessoal tava jogando baralho, sinuca .. comendo uns sanduíches sabe? .. A gente tava se divertindo, contando piadas, muita emoção rolando, principalmente quando trouxeram o leite com Toddy para cantarmos Legião e Los Hermanos .. bem da hora assim .. foi um momento único, e eu estava com meus melhores amigos ..
- Tá, mas o que tem o Eduardo ?
- .. Ele é meu melhor amigo, poha .. mas, então, chegou o fim da festa, e o Eduardo tava com o carro do pai dele, e deu carona pro pessoal. A gente começou a cantar Eduardo e Mônica, sabe mãe? Aquela .. queeem irá dizer a razão do coração .. e na parte que a Mônica falava coisas sobre o Planalto Central, o carro acertou uma vaca que passou na nossa frente bem ali perto do Largo do Machado, se precisava ver mãe .. tadinha da vaca.
Bem, no acidente a maioria saiu só com uns arranhões mas, mas o Eduardo não .. e gente chamou a ambulância e ele foi internado.
O meu melhor amigo mãe .. ( e ela me olhava sem saber se me batia ou se ria, ou os dois)
Enfim, o médico veio e nos disse que era melhor irmos para casa e que o estado de Edu era grave, muito grave, mas estável.
Eu não consegui deixá-lo sozinho, fiquei lá, chorando, chorando, chorando e chorando, até não me restarem lágrimas.
Era 3 e pouca quando o médico falou para eu ir para casa que meus olhos estavam mais vermelhos que o cabelo do Iori Yagami, do KoF.
- Hm .. inventou isso agora?
- Poh mãe, algo tão sério acontece e vc ai zombando .. vou durmir até, boa noite.
- Humff .. - e eu já deitando, ela grita : E esse cheiro? Que cheiro é esse ? Esse cheiro é de maconha! Não é?
- É mãe, mas .. tinha um pessoal fumando lá ..
- No hospital?
- É. (huehueh) Medicina alternativa mãe, tchau.

E foi assim que ela quase descobriu meu segredo, mais uma vez usando minha lorotagem altamente funcional.

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No dia seguinte, de manhã, minha mãe veio me acordar falando que o Eduardo tava lá fora me esperando para irmos jogar bola. E eu exclamei : É UM MILAGRE, VIVA!


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Com amor, George

  George, um rapaz charmoso que sempre sentava na mesa da frente a de Elisa, no Coffee Day onde eles começavam o dia, vivia a lançar seu olhar tímido e penetrante sobre a desconcertada moça.
  Nas noites de Elisa, George se tornava pensamento cada vez mais frequente e ela achava errado por ser casada há mais de uma década - apesar deste relacionamento não estar em boa fase.
  Os dias se passavam e George invadia seu dia a dia, e por vezes ela o comparava a seu ausente marido Léo. Comparava os cabelos, os olhos, o modo como segurava o jornal e bebia o cappuccino acomodado de pernas cruzadas, ou como desviava o olhar quando era encarado.
  Na última quinta-feira no Coffee Day, Elisa recebeu do garçom um bilhetinho em um guardanapo. Frases românticas que descreviam Elisa com detalhismo e paixão e timidamente pediam uma conversa. Ela sabia que eram de George, não por serem finalizados por "com amor, George", mas sim, quem mais poderia descrevê-la daquela forma se não alguém que a observasse atentamente todos os dias? Somente George.
  Após alguns dias de conversas por guardanapos o garçom trouxe o último bilhete. Este a convidava para uma viagem! Com todas aquelas conversas inteligentes e românticas, no calor do momento, ela aceitou. Tendo em vista ainda o total desastre que se encaminhava seu desgastado relacionamento com Leonardo.
  No dia seguinte, bem cedo, após um dia inteiro - e noite, pensando em tudo que estava acontecendo, ela fez as malas secretamente enquanto seu marido dormia, e partiu ao local marcado. Esperançosa para ouvir, enfim, a voz do charmoso George lá estava ela, como uma adolescente que fugia de casa. E ao chegar ao local descrito no papel, para sua enorme surpresa quem a aguardava era George, o faxineiro do Coffee Day, barrigudo e nada charmoso de olhar cansado que tinha uma paixão secreta por Elisa além de boas palavras.


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Contando


   Entre tantos números possíveis, eu recontava tudo outra vez,  sem pressa.  Entretanto um quarto era tudo que eu tinha. Todas as coisas cabiam nele, mas todas as coisas não eram muitas, eram o suficiente. O zero resume boa parte da minha vida,  não por seu valor;  nada, e sim por seu signo, uma circunferência,  oval, formando um ciclo .. o que muitas vezes era nada, realmente.  Logo pensei no dois, é bom. E percebi que pulei um, ele não me agrada com todo seu individualismo .. apesar de ter suas vantagens. Ah, dois, em determinado momento parecia pouco, fui logo para o 5, pois tive momentos de Vitória, e combinava. Eu poderia montar um conjunto, algo do tipo, mas a cada ato, um número me parecia mais atraente. Segui contando e encontrei o seis. Mal cabia na minha mão, mas eu sempre quis mais. O oito é engraçado, intrigante até. Como um duplo zero. Como se possível dois ciclos se unirem. A esta altura descobri que sim. Porém fiquei no 1 a 0, ou 0 a 1. Um atrás do outro, se bem me entende. E próximo, 18, libertador. Que nada, era justamente o oposto. Então vieram 20, 21, 30, 33, 70, 360 .. até o n, de nada deu certo e recontei. Não ordenado, como nunca foi. Recontei novamente, sem pleonasmo, e percebi que o três é o que mais vale a pena. Ele me faz sorrir :3.


sábado, 6 de setembro de 2014

"O que queres?"


   Há quatro dias atrás eu fui beber. Saí, fui no bar, onde, geralmente, existem bebidas. Elas estavam lá, à minha volta, se oferecendo. Igual as mulheres daquele local, também. Mas, não. Hoje não. Queria beber, encher a cara, cansar o barman, e levar o estoque para casa e amanhecer dois dias depois, fedendo de bebida, apenas. Nada de mulheres. Não era esse o propósito. Queria esquecer, ocupar o vazio, com cachaça. Chorar não adiantava, apesar da água ser mais densa que o álcool. Lágrimas salgadas são fazem o meu gosto. Álcool é quente. Assim eu bem prefiro. Eu cheguei, o local era do tipo requintado, esperei que o atendente me visse, e pedi "Me dá qualquer um", eu tava putão. O cara olhou para minha cara, sério, e riu, continuando seus afazeres. Olhei no papelzinho e disse "Black velvet", ele me entregou, sem dizer nada. Aquilo era horrível. "..encher a cara.." foi o que eu disse? Foi. "Vodka, pura", pedi. "Agora sim". "Desce mais uma". "Desce outra". "Des .. Dé .. Desse aqui!". Já não sentia meus pés, eram duas horas, eu acho. Também não sentia minha carteira. Aquela ruiva. Aquela. Era o menor dos meus problemas em forma feminina. Cassandra era uma mulher de fibra, admirava isso. Porém, 5 anos em sua empresa e, nada. Atencioso e prestativo, agora, explorado. Julia, mamãe. Não a vejo faz 5 anos, também. Ríspido e orgulhoso, sou eu. Tem ela, aquela .. ela mesmo. Vadia, apenas para desestressar. Argh .. pois bem, eram 2 horas, eu acho. "Dá duas, dessa aí mesmo, é" apontei as garrafas cor de mel, "35", disse ele. "Só tem vinte" mostrei e ele pôs uma garrafa no balcão. Eu queria as duas. "Deixa eu levar a outra também que quando eu acordar eu pago", "Não, senhor". "Qual é! Olha pra eu! Acha que vou dar calote?!", insisti, sutilmente. "Nada pessoal, senhor. Normas da empresa", se explicou o cara do bar. "Aí, camarada", disse um cidadão, pondo uma nota de 50 na mesa. "Manda uma daquela, também", completou o cara estranho. Eu já ia me retirando com minha garrafa. Estava consciente de meus atos. Parecia bebão, mas só para dizer que tinha torrado. Mas não. Sou frouxo, até pra entregar tudo de bandeja. O cara estranho - não por ser aparentemente estranho, não era. Bem comum na verdade. Uns 30 anos, ou mais, vai saber - ele me chamou. "Ei, camarada!" CAMARADA CAMARADA CAMARADA. Eu, 27 anos, carinha de 20 e, muitas vezes, confesso, comportamento de 16. Com um pé atrás, disse "Eae, bro. Tarde já". "Não", disse ele. "Ah, tá", mosquei. "Eu estava ali, te observando .." e antes que eu o levasse a mal, ele completou "Não me leve a mal". "Tá", monosilabei. "É .. você é o tipo de cara que atrai mulheres e, ao mesmo tempo, repele-as. Não é?", ele me definiu e eu concordei, mas disse "Não". "Digamos que você esteja passando por problemas com elas, certo agora?", ele me definiu e eu concordei, e disse "Sim, isso mesmo. Como chegou a essa conclusão?". "Ninguém vêm ao Drink Lick desacompanhado que não para lamentar um amor". Olhei a volta e, apesar de turva, minha visão só via casais, e trios. "E você?" perguntei a ele, "Cadê sua companhia?", ele ergueu o copo, na mesma mão com um cigarro preto. Eu olhei para a cara dele, sujeito apreciável. "E desde quando amores se lamentam?", perguntei, sobre o que ele havia dito. "Amores não se lamentam. Pessoas lamentam amores. Amores apenas são amores", o cara dizia com extrema autoridade. Já com minha confiança em mãos, ele disse "Venha", e fui com ele até o sofá de noventa graus. "Então, o que você quer saber sobre amor?" ele leu minha mente e eu disse, "Porque?", ele abaixou levemente a cabeça como um míope tentando enxergar. "Porque amamos?". "Ora, se você diz amor de namorada, esposa .. eu te pergunto, você já amou?", eu precisava de respostas e o maluco me vinha com questionamentos. "Não sei definir. Bom, tem uma garota. Ela, é .. eu a amo", "Sim", eu continuei "É. Posso falar que a amo por que eu disse isso para ela, a gente conversa sobre muitas coisas. Temos gostos semelhantes, nos divertimos juntos. Fazemos planos juntos. Fazemos .. tudo .. juntos", "Juntos ; parece ser a palavra", ele falou. "Sim", concordei. "Aí está o problema .. em alguns momentos vocês não se suportam, em outros esquecem da existência do outro .. tudo porque cansaram do "juntos". Concordei, em parte. Ela parecia concentrar o tédio do "juntos". "Diga, há quanto tempo se conhecem?" "5 anos", "E a quanto estão brigados?" "5 dias", "Perfeito" disse ele, estranhamente. "Perfeito? Ela está bem. Se diverte. E eu não consigo e, acima disso, não quero, sem ela" .. ele me encarou por alguns segundos. Eu continuei "Sabe .. se ela se jogar pela janela, quem morre sou eu", "A bebida não fala por você, fala?" ele perguntou. "Não agora", respondi. Bruscamente o estranho sacou um relógio de bolso. Isso mesmo. Olhou. Guardou e disse "Diga o que queres e, em 5 dias tudo estará resolvido para você. O que queres?". Eu pensei. Que porra estava acontecendo? Que papo era aquele? Que seja, o cara parecia sábio, e desequilibrado. Coitado. Não fez mal algum. "Rápido, o que queres?", "Uma Marcela com dois éles", eu disse, e ele estranhou. Eu deveria ter sido mais específico, mas, não sou de crendices e ele era um desequilibrado que sabia falar, então, que seja.