O filme “A
Vila” vai além de uma produção hollywoodiana de médio orçamento
(111,6 milhões USD) dirigida por um candidato a grande diretor, M. Night
Shyamalan, que em seu oitavo filme recorreu à característica que o levou
rapidamente à notoriedade; reviravoltas e surpresas no enredo. Artifício
perigoso e aparentemente preguiçoso não fosse a interessante abordagem da
psique humana imposta em cada personagem. Com essa proposta, Shyamalan reacende,
à época, a esperança de dias melhores e não somente filmes que se paguem com
uma ou duas frases “como eu não percebi isso antes?” de quem os veja.
Temos
vergonha do que nos faz humano, segundo Jung. Essa frase cabe perfeitamente por
toda a história de Edward Walker (William Hurt) e os demais “anciões”
fundadores da vila. Após inúmeros acontecimentos impactantes e tristes em suas
vidas, decidem criar um mundo onde pudessem controlar tudo e todos, um mundo
fantasia, outra realidade. A Vila surge do desejo de suprimir o princípio de
realidade que nos fere, a violência. No entanto, todos lá ainda eram humanos.
Há uma lenda
na Vila. Monstros horripilantes vagam pelo bosque dispostos a punir todos que
avancem através dos limites da comunidade (recalque) e os limites
civilizatórios dos mais inocentes. Quando os desejos humanos, amor e ódio, são
instigados pela vivência florescem vermelhos como rosa, a ordem da Vila é
rompida e “Aqueles de quem não falamos”, os monstros, cumprem sua função.
Ivy Walker
(Bryce Dallas Howard), Lucius Hunt (Joaquin Phoenix) e Noah Percy (Adrien
Brody) são os protagonistas das pulsões inconscientes. O amor de uns é o ódio
de outros, desencadeando um evento capaz de desconstruir toda a farsa da Vila.
O filme A
Vila ensina, além da clichê frase do Sr. Walker “O amor move o mundo”, que as destrutividades externas não serão
eliminadas com mentiras. Cada um precisa controlar sua destrutividade interna para um mundo mais dócil e benevolente.
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